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13 maio 2017

Moeda «10 Cruzeiros 1975 – 10 anos do Banco Central»

 

Trata-se de moeda comemorativa em Prata emitida pelo Banco Central do Brasil, em comemoração aos seus 10 anos. No anverso, o busto do fundador do Banco, o mal. Humberto de Alencar Castello Branco. No reverso, o valor facial e o logotipo do Banco Central.

A moeda vinha acondicionada em uma cartela, e é justamente a cartela o motivo dessa postagem. (Imagens da cartela retiradas do site http://www.moedasdobrasil.com.br/moedas/castelo.asp

Na hora da compra, é preciso observar:

1) A CARTELA: Deverá estar em perfeitas condições, sem pontos de “ferrugem de papel” (que, sabem bem os filatelistas, são fungos que decompõem a celulose do papel), sem rasgos. A folha interna de PVC onde a moeda fica inserida não deve estar amarelada.

2) A MOEDA: A mesma fica acondicionada em um pequeno bolso na folha de PVC, e geralmente é encontrada com a famosa gosma verde (ácido sulfúrico) proveniente da decomposição do PVC, que corrói lentamente a peça. Muitas das peças atualmente sofreram algum tipo de limpeza e é preciso observar, com uma boa lupa, à procura de “hairlines”, ou seja, pequenos arranhões e riscos que qualquer sinal de limpeza inevitavelmente deixa nas moedas.

É extremamente difícil de encontrar essa emissão antiga (ano 1975) em perfeitas condições, devido ao PVC da embalagem.

Caso encontre: o ideal para armazenamento é retirar a moeda do bolsinho de PVC da cartela, inserindo-a em um coin holder adesivado ou cápsula acrílica. A cartela deve ser protegida dos elementos atmosféricos com um saquinho do tipo «Ziploc».

Em tempo: O conjunto deverá estar COMPLETO: Cartela e moeda. Emissões comemorativas que faltem algum dos elementos (p.ex., a cartela original, ou estojo original, o certificado de autenticidade, quando existente) devem sempre ser evitados, exceto se o valor for muito inferior ao do conjunto completo.

03 fevereiro 2017

Moeda «João Ramalho – Gibão Bandeirante 1932»

Vulgarmente conhecida como «Coletinho» ou «Casaquinho», trata-se da moeda de 500 Réis em Bronze-Alumínio emitida em 1932, de uma série de seis moedas, comemorativa aos 400 anos da Colonização de São Vicente-SP e vulgarmente conhecida como «Série Vicentina».

Apresenta no anverso o Gibão Bandeirante, uma peça de vestuário acolchoado, feito geralmente em couro de anta, que protegia o explorador dos sertões das setas envenenadas dos indígenas. No reverso, há o busto do aventureiro português João Ramalho (1493-1580), fundador da colônia de São Vicente.

Recentemente, houve uma febre na numismática nacional por esta moeda, provavelmente por conta de sua baixa tiragem (34.214 exemplares) e relativa dificuldade de conseguir um exemplar em estado de conservação superior (Soberbo ou Flor de Cunho).

E claro, como não poderia deixar de ser, a ganância e a especulação, a ansieade de um lucro grande e fácil se fez presente naqueles desprovidos de caráter e honestidade: Os preços subiram repentinamente, e começaram a aparecer falsificações chinesas no mercado.

Peça original:

Falsificação (origem: China):

 

Características principais que diferenciam o exemplar original da falsificação chinesa:

1. No original, os olhos do busto de João Ramalho possui feições tipicamente europeias, ou «olhos de português». Na falsificação, o busto possui olhos semi cerrados, ou «olhos de chinês».

2. No original, o Gibão Bandeirante apresenta um cinto com fivela. Na falsificação, não há fivela e tampouco a ponta do cinto.

Observando estes dois principais pontos, já é possível distinguir com exatidão e certeza a peça original da falsificação. Além disto, temos diversos outros detalhes menores:

 

no reverso (Busto de João Ramalho):

a) No original, as inscrições possuem caracteres mais finos.

b) Bordo suavemente arredondado no original. Reto e agudo na falsificação.

c) No original, é possível distinguir fios de cabelo individuais no busto de João Ramalho. Na falsificação isto não é possível.

d) A manga esquerda da camisa de João Ramalho possui mais detalhes e mais movimento do que na falsificação.

e) No original é possível distinguir fios de barba individuais no busto. Na falsificação, a barba é mais arredondada (“barba postiça de papai noel”).

f) No canto superior direito, na palavra DA (da frase “centenário DA colonização”): No original, possui dois pontos, ficando •DA• e na falsificação, só há ponto no lado esquerdo, ficando •DA.

g) o sinal de Til (~) na palavra “colonização”. No original, não toca a letra “L” de “colo”. Na falsificação, o til toca o L.

 

No anverso (Gibão Bandeirante):

a) No forro inferior do Gibão, são 7 linhas verticais no original. Na falsificação, são 8 linhas.

b) Na falsificação, a gola do Gibão é mais fina e possui linhas verticais mais precisas.

c) Cinto com fivela no original, sem fivela na falsificação.

d) No original, o Gibão é mais arredondado, dando sensação de tridimensionalidade. Na falsificação é reto e plano, como em um simples desenho.

e) O padrão xadrez do Gibão é arredondado no original, dando a sensação de enchimento e acolchoamento. Na falsificação, são linhas extremamente retas.

f) Na palavra «RÉIS»: No original, o acento agudo de Réis está separado da letra E. Na falsificação, o acento é colado à letra E, fazendo com que a mesma se pareça com um 9 invertido.

g) No valor facial «500»: No original, o primeiro zero é quebrado em duas partes. Na falsificação, é maciço.

 

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS DA MOEDA ORIGINAL
Material: Bronze Alumínio
Diâmetro: 22,5 mm
Peso: 4,00 g
Espessura: 1,50 mm
Bordo: Serrilhado
Titulagem: Cu 910, Al 90
Eixo: Reverso medalha (EV)

Um paquímetro e uma balança bastam pra diferenciar a original da falsificação.

  

Opinião do blogueiro: Aqueles que compram estas falsificações para revenda no mercado numismático brasileiro, mesmo que as vendam anunciando como “réplicas”, são tipicamente uns vagabundos sem moral, sem o menor caráter e de baixíssima reputação. Este tipo de safado deve ser extirpado de nosso meio, como o escória que é, tal como se arranca uma erva daninha de uma horta. Devem ser amplamente denunciados em nosso meio tal como o bandido canalha que é, e fazer constar o nome nas Listas Negras da numismática nacional.

Além do mais, faz-se mister deixar clara a diferença entre réplica e falsificação. 

RÉPLICAS são peças idênticas às originais, mas que contenham gravadas ou inscritas em local visível na peça certas palavras tais como “FAC SIMILE”, “COPY”, “FAUX”, etc. Estas não enganam ninguém.

Já as FALSIFICAÇÕES, como é o caso dessa peça de 1932 deste artigo, é uma imitação do original, feita no mesmo tamanho, cor, material e design, para se passar pela original e enganar colecionadores inexperientes.

NÃO COMPRE FALSIFICAÇÕES CHINESAS, NÃO COLABORE COM O MERCADO CRIMINOSO.

 

Atualização em 4 Fevereiro 2017

Surgiu uma NOVA falsificação desta moeda, com um novo cunho, melhorado, e um pouco mais perigosa que a anterior. Segue imagens:

Desta vez, o Gibão Bandeirante aparece com fivela e cinto. A boca de João Ramalho é completamente diferente do original (esta possui o “João Beiçudo” ou “mostrando a língua”), há alterações na barba, feições do rosto, o acento agudo em «Réis» foi separado da letra “E”, além de correções menores em todo o design tanto do anverso quanto do reverso.

Porém, continuam tendo somente um ponto no lado esquerdo de •DA sendo que no original é •DA• com pontos à direita e à esquerda, na frase “DA COLONIZAÇÃO”.

Opinião do Blogueiro: Pra uma correção de cunho tão rápida assim, a única hipótese que imagino é que há algum chinês fortemente envolvido com numismática residindo no Brasil e orientando os falsificadores na China. Não consigo visualizar outra explicação.

No link de venda dessas peças, vi alguns compradores oriundos do Brasil adquirindo-as em quantidade alta. Com certeza será para desovar nos “leilões” e “rifas” das redes sociais, e no Mercado Livre. Todo cuidado com esses pilantras é pouco!

Esta moeda – original, claro – só deve ser adquirida com vendedores de excelente reputação, ou em Casas Numismáticas, se possível com Nota Fiscal ou algum comprovante de compra.

07 novembro 2016

1 Real 1997 «Bromélia»

Aqueles que não conhecem esta peça, antes de mais nada, leia estes três artigos:

Link 1: http://ppbalsemao.blogspot.com.br/2012/03/replica-do-real-1997.html

Link 2: https://colecaosfm.wordpress.com/2015/06/13/a-bromelia-ou-real-balsemao/

Link 3: https://colecaosfm.wordpress.com/2015/06/21/os-reais-da-bromelia/

A peça acima surgiu primeiramente nas mãos de P. P. Balsemão, que, conforme relata em seu blog, foi recebida de troco por um caixa de uma banca do Mercado Público de Porto Alegre e foi comunicada pelo mesmo no XV Congresso de Numismática da Sociedade Numismática Brasileira.

Muita dúvida surgiu no meio numismático, com debates acalorados, já que a peça surgiu exatamente nas mãos de um numismata que é proprietário de uma metalúrgica, e além do mais é um gravador, que confecciona réplicas (devidamente identificadas como tais) de moedas clássicas. Por conta disso, passou a ser chamada por seus detratores, de modo a reduzir a peça a um mero disco metálico sem valor, e atacar a reputação pessoal, de «1 Real Balsemão».

Antes de mais nada, vamos à definição:

ENSAIOS: Testes de desenho, material, cor, tamanho... Quando escolhem qual modelo será definitivo, criam as PROVAS. Isto ocorre na numismática, na notafilia e também na filatelia. Assim sendo, a «Bromélia» seria um ENSAIO, já que não possui o mesmo design da peça de 1 Real que foi posta em circulação.

Os ENSAIOS sequer deveriam vir à luz, devendo ser descaracterizados ou destruídos tão logo os testes internos de produção sejam concluídos, porém é fato na numismática mundial que uma ou outra peça acaba escapando para as mãos dos colecionadores.

Vamos aos dados que possuímos sobre a referida peça:

O numismata Sérgio Mendes escreveu ao Banco Central inquirindo sobre a peça, e recebeu a seguinte resposta deste órgão:

Prezado senhor

Em atenção a sua demanda, registrada sob protocolo e-SIC 99916.000007/2015-61, temos a esclarecer: A Casa da Moeda informou que cunhou peças contendo a imagem de uma bromélia em um dos lados, a título de teste de materiais e processos, para a fabricação da moeda de R$ 1 da Segunda Família de moedas.


Esta resposta do Banco Central é um DOCUMENTO OFICIAL EMITIDO POR ÓRGÃO ESTATAL, e, através do número do Protocolo, pode ser solicitado que seja impressa em papel timbrado, e faz cair por terra qualquer argumento de que a referida peça foi criada pelo sr. Balsemão. Logo, não só não foi negada a existência da peça, como além disso, foi confirmada ter sido cunhada na Casa da Moeda, e até dito para que fins a «Bromélia» foi criada: Teste de materiais e processos para a fabricação da moeda de R$ 1 da Segunda Família. O que faz sentido, já que o Brasil até então não havia feito cunhagem de moedas bimetálicas.

Em segundo lugar, temos no site do Worldwide Bi-Metallic Collectors Club o relato, realizado no longínquo ano de 1999, sobre a existência de uma peça «Brazil 1997 1 Real Test Bi-Metallic».

Além do mais, temos o seguinte relato do numismata  Leandro Tavares em e-mail a Balsemão:

Prezado Sr. Balsemão,

Tenho 38 anos, sou numismata desde os 8 anos e tenho 2 coleções de moedas. Coleciono 1 moeda de cada país/estado/província pós-1900 e moedas de grandes personagens da História. Tenho ainda várias moedas bimetálicas que comecei a colecionar no meio dos anos 90 e das quais não me desfiz completamente, mas também não me interessei em aumentar a coleção.

Na época em que comecei a colecionar as bimetálicas, tornei-me membro do WBCC, o World Bimetallic Coins Collectors Club (http://www.wbcc-online.com/). Em 1999 vi no site deles uma imagem de um desenho em preto e branco com a imagem da moeda que o senhor possui: o 1 real de 1997. Tentei entrar em contato com a CMB e cheguei a escrever para o presidente Fernando Henrique Cardoso e para o presidente da CMB que era o Tarcísio Jorge Caldas Pereira para tentar saber mais informações ou como adquirir esta moeda, mas infelizmente, o descaso com a numismática nacional já era total naquela época e não consegui nem uma coisa nem outra. O interessante é que o Caldas Pereira escreveu que, por se tratar de um teste, não era permitida a venda destas moedas. Ou seja, ele não negou em nenhum momento a existência das mesmas. A imagem que estava no site (acabei de entrar no site do WBCC e não está mais lá) era descrita na legenda como um teste relatado na edição de novembro de 1998 da versão norte-americana do periódico World Coins News. (Acho que é da Editora Krause)

Esta descrição ainda está na internet e pode ser vista neste link, no item 5: http://wbcc-online.com/newsmail/news143.txt (Curiosamente, tem uma nota escrita por mim bem baixo desta informação).

Conversando depois com mais algumas pessoas, me disseram que esta moeda foi cunhada no Canadá para testar as prensas com que seriam produzidas as moedas de 1 real 1998 e que todas deveriam ter sido destruídas, mas que, como sempre, e o senhor tem a prova disso aí na sua coleção, “uma ou outra sempre escapa”... Não vou afirmar com certeza, mas acho que quem me disse isso foi o Sr. Antonio Lima de São Paulo. Na época eu conversava bastante com ele. Cheguei a falar também com o Sr. Francisco Partos, de Porto Alegre, mas não me lembro se foi sobre esta moeda ou aquela dos 10 centavos com o D. Pedro levantando o braço esquerdo. Seja como for, sempre acreditei na existência dessas duas peças e fiquei até emocionado quando recebi neste mês o boletim 76 da AFNB com o seu artigo. Pode ficar tranqüilo, mesmo que nenhuma autoridade confirme, sua peça é 100% legítima.

Caso o senhor queira tentar descobrir mais, pode entrar em contato com quem escreveu esta nota no boletim da WBCC, o Martin Peeters, fundador do site. O e-mail dele é WBCC@hotmail.nl

Se eu puder ajudar de mais alguma maneira, é só entrar em contato. Parabéns pela sua peça.

Cordialmente,

Leandro Tavares

Campinas/SP

AFNB SC-1237

leandro.tavares@uol.com.br

 

Isto nos diz que a peça já havia sido vista em 1999, fazendo cair por terra novamente a tese de que foi criada por Balsemão.

Temos ainda, o sr. Emerson Pippi, membro da Sociedade Numismática Paranaense, que entrevistou a sra. Glória Dias, funcionária da Casa da Moeda, texto publicado no Boletim da SNP e o qual reproduzimos abaixo:


OS SEGREDOS DA BROMÉLIA

Por Emerson Pippi

Um dos mistérios mais empolgantes e discutidos da numismática brasileira volta à tona com inéditas revelações da artista plástica Gloria Dias, que participou da equipe de design do famoso Real Balsemão. A peça, que intrigou muitos especialistas e colocou em cheque a reputação de um ilustre gravador brasileiro, realmente foi feita na Casa da Moeda do Brasil (CMB) e é um teste de material do que viria a ser uma das moedas da segunda família do Real, lançada em 1998.

Quem afirma é a co-autora dos projetos da nova família do Real, Gloria Dias, atualmente Assessora Técnica do Gabinete da Presidência da Casa da Moeda do Brasil. A designer, medalhista e moedeira é também criadora dos desenhos de recentes moedas comemorativas brasileiras, como as dos 40 e 50 anos do Bacen e a do Centenário de Belo Horizonte.

Nesta entrevista, Glória confirma que é uma peça feita na CMB e dá um sensacional e detalhado relato sobre a moeda.“Não imaginávamos o sucesso que essa peça teste faria, pois era para sido devolvida à CMB para descaracterização. Foi feita para testar ajustes e melhorias para aumento de ductibilidade”, diz.

Entenda a polêmica

Em 2011, o gaúcho Pedro Balsemão anunciou ter encontrado uma raridade até então desconhecida do meio numismático. Uma moeda de 1 real bimetálica datada em 1997, completamente diferente das circulantes. No reverso está a figura de uma bromélia, sobreposta pela inscrição 1 Real. No anverso,conhecida imagem da efígie da república, idêntica à que esteve presente em moedas de Cruzeiro entre 1967 e 1978.

Apresentada em congresso da SNB, a moeda dividiu as opiniões de especialistas. A tese de que realmente era um ensaio desconhecido fabricado pela CMB foi defendida de maneira ferrenha por Balsemão. Por outro lado, uma vertente importante de numismatas via com incredulidade a recente descoberta. Havia até mesmo quem suspeitasseque a moeda foi feita pelo próprio gaúcho, ilustre escultor de cunhos, medalheiro e fabricante de réplicas perfeitas de moedas raras.A Casa da Moeda nunca admitiu oficialmente que aquela peça havia saído das suas fábricas.

“Sofri muito com desconfianças de próprios colegas numismatas. Pessoas tratavam o assunto com ironia e risadinhas disfarçadas”, diz Balsemão.

Também surgiu a vertente de numismatas que acreditavam ser a bromélia uma ficha que seria usada exclusivamente em vending machines, essas máquinas que vendem refrigerantes, doces e até flores. A teoria deles era que, em virtude da futura substituição do padrão das moedas, a CMB criou fichas de fantasia para testes e enviou aos fabricantes das máquinas. Essa afirmação mudava completamente o status do achado de Balsemão. De inédito ensaio de moeda, passava a ser um simples token.

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Confira alguns trechos da entrevista esclarecedora de Gloria Dias, que conta a história da criação do Real Balsemão:

Gloria, como surgiu a ideia dessa moeda da bromélia, hoje conhecida como Real Balsemão?

“Essas peças foram confeccionadas exclusivamente para testes, já com as características de material das moedas que seriam lançadas. Ela foi feita para testar ajustes e melhorias para aumento de ductibilidade. Não usamos as matrizes da moeda de 1 Real que seria válida, exatamente para não corrermos o risco de criarmos uma raridade. Não imaginávamos o sucesso que essa peça teste faria, pois era para ter sido devolvida à CMB para descaracterização.”

Como você ficou sabendo do vazamento?

“Encaminhamos algumas peças para apreciação e testes e o trabalho seguiu adiante. Houve um momento, anos após as remessas, que a moeda teste surgiu em publicações especializadas. Muitos colecionadores, ao mesmo tempo em que queriam saber tudo a seu respeito, fantasiaram histórias sobre a criação dela. Mas a verdade é que foi um teste para otimização do nosso processo fabril.”

E por que foi datada em 1997?

“A concepção artística e técnica de uma nova série de moedas de circulação se dá muito tempo antes de sua emissão e distribuição. São muitos os estudos e testes para garantir a melhor performance nas máquinas de industrialização. É o tipo de produto que precisa responder bem aos quesitos de altíssima e acelerada produção.”

E por que não se usou nesses testes o mesmo desenho das moedas que seriam lançadas?

“Uma moeda é um produto de alta segurança e nem todos os testes ocorrem em ambiente “oficial”. Por isso, a melhor maneira é não contar com a arte válida, mas sim com uma que simule perfeitamente os volumes da gravura original. Esse foi o caso da bromélia. Não podíamos arriscar o vazamento do layout artístico da moeda. E, visto que essas peças teste vazaram misteriosamente, fica implicitamente reforçada essa orientação.”

Essa moeda seria então utilizada para testes de material em geral, não somente para vending machines?

“A peça da bromélia foi criada para amplos testes que serviriam para definições de especificações do produto “moeda de circulação bimetálica, taxa de 1 Real”. Teste em vendingmachines é apenas mais uma entre tantas características para quais a moeda deve estar apta.”

E por que escolheu o desenho da bromélia?

“Ouso de figuras históricas poderia suscitar elucubrações várias sobre tendências políticas, mesmo sendo uma peça teste. Se vazasse, o que acabou acontecendo, poderia haver questionamento do tipo: Porque um homem? Porque um militar? Porque um artista? Um músico de esquerda? Um esportista? Com tanto cientista importante, porque esse?Como era um simples teste, não valeria a pena se preocupar com essas coisas. A bromélia já nasceu politicamente correta. Afinal, quem é contra as bromélias?”

E a efígie da república? Ela já havia sido usada em moedas dos anos 1970. Qual o motivo de usá-la novamente?

“Essa efígie era unanimidade entre todos os artistas da época como a mais bela de todas. A obra é do gravador numismata MestreBenedicto Ribeiro, admirado por toda equipe. O perfil que inspirou ele foi o da jovem e belíssima atriz Tonia Carrero.”


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Em tempos de delação premiada, nós que fomos premiados com os relatos da artista. O depoimento de Gloria, apesar de ser testemunhal e não documental, encerra a maioria das dúvidas que cercavam o Real Balsemão.

A moeda foi feita nas oficinas da CMB e se trata de teste de material, não sendo um ensaio de layout. A moeda é original, mesmo não sendo oficial.

Emerson Pippi - SNP

 

Pois bem! Agora temos um relato de um funcionário da Casa da Moeda do Brasil confirmando que a peça foi de fato cunhada neste órgão estatal, e detalhando seus propósitos de existência. Atenção especial ao trecho: «Essas peças foram confeccionadas exclusivamente para testes, já com as características de material das moedas que seriam lançadas».

Isto por sí só é a própria definição de um ENSAIO NUMISMÁTICO, já que é pra exatamente este fim que os mesmos são criados: Testes! E das mais diferentes naturezas.

A peça consta atualmente – e corretamente, ao meu ver – catalogada no «Livro das Moedas do Brasil», de Irley Neves e Claudio Amato, na seção de Provas e Ensaios, como fazendo parte da coleção numismática brasileira.

No catálogo Bentes, não consta, e o autor justifica a não inclusão desta peça por acreditar que se trata de um mero token ou ficha metálica, ou – palavras do mesmo – fichas de vending machines – máquinas de refrigerante e afins. A sua justificativa e explanações podem ser lidas clicando aqui. (Faça uma pausa na leitura deste artigo, e leia a justificativa dada pela empresa Bentes).

Bentes recentemente publicou nas redes sociais esta justificativa, a qual gerou um frutífero debate com diversos nomes de peso da numismática nacional envolvidos. No entanto, ao somente receber opiniões contrárias às suas, simplesmente apagou toda a postagem, num ato que gerou dúvidas sobre a real capacidade desta empresa em promover o saudável debate e a ciência numismática, e publicou sua única opinião em forma de texto em seu blog (link acima), o qual é fechado para comentários. Isto não é debate numismático, não é ciência, e sim, tentativa (frustrada) de impor uma única opinião.

Para Bentes, o relato dos criadores da «Bromélia» é simplesmente ignorado, sendo levado em consideração em seu lugar, a “perícia” realizada por seus “peritos juramentados”, que não sabemos quem são, e que dizem que a «Bromélia» é uma mera ficha de vending machine, o que foi claramente desmentido pela própria co-autora da peça, sra. Gloria Dias, na entrevista dada ao sr. Emerson Pippi e pelo e-mail recebido do Banco Central pelo sr. Sergio Mendes.

À empresa Bentes foram feitas algumas perguntas, às quais não obtivemos as respostas, somente a censura de termos nossas perguntas e dúvidas sumariamente apagadas, vindas de alguém extremamente arrogante e que não aceita questionamentos, dúvidas ou opiniões contrárias às suas, mesmo que sejam embasadas com fatos comprobatórios.

Então postamo-las aqui:

1 – Qual a fonte desta afirmação de que a «Bromélia» seria um mero token ou ficha de vending machine? Quem são os “peritos juramentados” que deram tal afirmação, e baseados em quê?

2 – Se são fichas de vending machines, porque a própria criadora das mesmas assim como o Banco Central diz que são peças criadas para testes da Segunda Família do Plano Real (que entraria em circulação no ano seguinte, ou seja, 1998)?

3 – Se são fichas de vending machines, porque possuem o valor facial de 1 Real estampado, ao contrário das milhares de modelos diferentes de fichas disponíveis no mercado?

4 – Se são fichas de vending machines, porque teriam sido feitas com tal design, inclusive utilizando a Efígie da República utilizada em cunhagens de sistemas monetários anteriores, de modo a confundir a população com as moedas da segunda família do Real que viriam a circular no ano seguinte?

5 – As fichas de vending machines que temos em mãos são produzidas por indústrias metalúrgicas particulares, tais como a famosa EBERLE e outras. Pergunta: A Casa da Moeda do Brasil produz fichas de vending machines?

6 – Se são fichas de vending machines, porque existem em diversos tamanhos, já que tais máquinas só aceitam fichas de um mesmo determinado diâmetro e espessura?

7 – Se são fichas de vending machines, porque existem nos mesmos diâmetros e materiais das atuais moedas do Plano Real segunda família, inclusive com peças bimetálicas e eletrorrevestidas de Cobre e Bronze-Alumínio Fosfórico?

8 – Se são fichas de vending machines, porque não está escrito nas peças para que fim se destinam, como em toda ficha (p.ex., “vale 1 coca-cola”, etc)?

Em todo seu texto, a empresa Bentes ignora o fato de que não existe somente a peça bimetálica da «Bromélia», e sim uma série completa, nos mesmos diâmetros e materiais da segunda família do Plano Real. Isto por si só faz cair por terra a tese absurda de “fichas de máquina de refrigerante”. Ignora também o relato do Banco Central e também dos funcionários co-autores das peças. A única opinião relevante é a sua própria, e a de seus “peritos juramentados” sem nome e sem rosto.

Além do mais, a empresa Bentes exige um “documento comprobatório” em papel timbrado, assinado por alguém em cargo de chefia na CMB, com estampilhas fiscais, que informe sobre estas peças. Compreendemos este cuidado, no entanto, o relato dos próprios criadores das peças são um “documento comprobatório”, assim como o e-mail com número de Protocolo recebido pelo numismata Sérgio Mendes, e ambos documentos possuem validade jurídica, e além do mais, os relatantes e seus criadores e órgãos estatais não arriscariam suas reputações por conta desta simples peça.

Finalmente, deixo aqui a minha opinião pessoal sobre as peças da «Bromélia»: São ENSAIOS para testes das moedas de circulação da segunda família do Plano Real, como dito pelos próprios criadores e pelo órgão estatal, (afirmação esta que não possuo a menor condição de contestar, pois contra fatos não existem argumentos). São peças que deveriam ter sido destruídas após os testes, mas que, de alguma forma, escaparam. Possuem extrema raridade, do mais alto nível, e FAZEM PARTE da coleção numismática brasileira, em sua categoria de Ensaios. Sua catalogação na obra «Livro das Moedas do Brasil», de Irley Neves e Claudio Amato, é e está correta.

Em tempo: Existe no mercado disponíveis para venda exemplares com a inscrição «Copy» ao lado da data 1997. (vide imagem acima). Estas peças são meras réplicas criadas especialmente para o mercado numismático, devem ser tratadas como tais e não possuem valor numismático. Estas sim, são meras “fichas” ou “tokens”.

 

Atualização em 08 Novembro 2016

O sr. Leandro Tavares, no e-mail enviado ao sr. Balsemão, cuja íntegra está acima, menciona o seguinte:

(…) Em 1999 vi no site deles uma imagem de um desenho em preto e branco com a imagem da moeda que o senhor possui: o 1 real de 1997. (…)

Por um lapso meu, esqueci de colocar este IMPORTANTÍSSIMO LINK nesta postagem, que mostra a tal imagem da Bromélia em preto e branco que é mencionada ter sido vista ainda em 1999.

Aqui está o link a que o sr. Tavares se refere: http://www.wbcc-online.com/ctrys-b/braz-camb.html e abaixo, reproduzimos a imagem:

Cabe ressaltar que no mesmo link há ainda imagens de outros ensaios para a moeda de 1 Real, alguns inclusive totalmente desconhecidos e que não possuímos informação alguma.

26 outubro 2016

Quanto Vale a minha Coleção?

Uma dúvida comum que sempre surge entre os colecionadores é justamente esta. Será que, caso algum dia resolva vender meu acervo acumulado cuidadosamente por anos, eu recupere ao menos o valor gasto? Ou, quem sabe, tenha até mesmo lucro?

Isto depende de diversos fatores:

A cultura do país onde se está montando seu acervo é um fator muito importante. Para citar um exemplo: Cartas e envelopes circulados com selos da França ou Inglaterra do período 1850-1870 são vendidas no mercado por valores que oscilam entre surpreendentes € 2 a € 5 cada. Existem aos milhares. Já um envelope com selos do Brasil do mesmo período são absolutamente caros e inalcançáveis para a maioria dos colecionadores, e isto se explica pelo fato de que na Europa, as correspondências eram guardadas, como arquivos familiares. Já no Brasil, e em outros países do terceiro mundo, a missiva era posta ao lixo tão logo fosse lida, ou atirada fora em um “bota-fora” de papéis velhos sem serventia.

Carta circulada para a cidade de Hull, Inglaterra, com selo «Penny Red» emitido em 1841
O terceiro selo postal emitido pela Inglaterra e também no mundo! Catálogo Michel #3.
Valor de mercado de uma peça destas, com 175 anos de idade? R$ 40 (quarenta reais).
Gostou desta peça? Eu te vendo por este valor, e tenho várias outras ainda mais baratas, basta entrar em contato.


Um outro exemplo: Moedas com a anomalia “mula”, como o último caso conhecido no Brasil («50 Centavos sem o zero»). Tal anomalia em qualquer moeda dos Estados Unidos, teria valor na casa dos 5 a 6 dígitos. No Brasil, é vendida por poucos trocados, por não haver forte procura pela peça, e principalmente por haver um completo desconhecimento e entendimento do que vem a ser tal peça.

Também não é a “antiguidade” que define. Papiros egípcios legítimos do tempo dos faraós, Moedas romanas com 2 mil anos de idade, ou 960 Réis do Brasil em prata e com 200 anos de idade podem ser compradas no mercado por poucos trocados. Já uma moeda cunhada recentemente, pode ser muito mais valiosa, mesmo sendo relativamente comuns e fáceis de encontrar, justamente por haver forte procura e pouca oferta (p. ex., 10 Centavos 1999 Flor de Cunho, 1 Real Entrega da Bandeira Olímpica, etc).

A qualidade da coleção também é um fator importante. Selos modernos, somente tem valor de mercado se novos com goma. Moedas modernas, salvo poucas exceções, somente flor de cunho. Cédulas, igualmente impecáveis, sem dobras, sujeira, rasuras ou manchas, tal como saíram do banco.

É comum pensar que as peças possuem “alto valor histórico” por conterem sinais do tempo e de manuseio, sujeira, amassados, manchas, etc, mas este é um argumento que o mercado simplesmente não aceita. Você pode até preferir na sua coleção ter selos carimbados ou moedas sujas, ensebadas e circuladas, cédulas rasgadas e mofadas. Mas, saiba que este é um casamento! Se pensar em vender depois, a procura será baixa, e dificilmente recuperará o valor investido.

Mas o fator mais importante de todos, ao meu ver, é: AQUILO que se coleciona, ou seja, objeto da sua coleção, pois é o determinante principal da procura e da oferta. Por exemplo, moedas de Ouro. Na pior e mais terrível das hipóteses, recupera-se parte do valor investido vendendo à peso, em joalharias. Por outro lado, você pode ter um magnífico acervo de documentos com assinatura de alguma importante figura do passado, mas se somente você ou algumas pouquíssimas pessoas igualmente de gosto exótico também colecionarem ou tiverem interesse nestes itens, prepare-se para ouvir propostas de aquisição de sua peças a valores extremamente baixos, senão ofensivos aos ouvidos, valores geralmente bem abaixo do que foi pago inicialmente. Sua peça pode ser inclusive única e insubstituível. Mas se praticamente ninguém se interessa por elas, o valor venal com certeza é muito baixo e não adianta espernear por isso. Logo, por mais que se goste das peças, por mais importância histórica que tenham, o mercado é cruel, e o mesmo não atribui cotações a valores sentimentais, e sim, à procura e à oferta.

Por isto, para evitar prejuízos ou aborrecimentos futuros, deve-se ler o máximo que puder sobre os objetos que compõem seu acervo, e especialmente ficar atento para o mercado que há para suas peças e qual a procura e oferta que há pelas mesmas.

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