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22 outubro 2016

Moeda «5 Centavos 1990 Pescador»

Antes de mais nada: Não é 5 Centavos 1989 e não é 5 Cruzeiros 1990. Estas duas últimas são vendidas a 20 reais O QUILO. Confundir estas moedas é o mesmo que não saber o quê se está colecionando. Embora os colecionadores tentem encontrá-la no meio das comuns, em “garimpagens”, nunca irão achar. As que estão no mercado são mistérios de nossa numismática.

Essa moeda é do padrão monetário CRUZADO NOVO. Nesse padrão são apenas DEZ moedas cunhadas, sendo uma delas em prata. Não é Cruzados, e não é Cruzeiros. 

Quando foi lançada, o novo Presidente da República, Fernando Collor, um esquerdista ladrão (desculpe o pleonasmo) autoentitulado "caçador de marajás" e que confiscou a caderneta de poupança dos brasileiros tão logo assumiu o poder, levando milhões de brasileiros à ruína financeira e ocasionando inclusive o suicídio de muitos pais de família, mudou o padrão monetário pra CRUZEIROS logo no primeiro dia de mandato! Por isso essa moeda nem chegou a circular, e é um mistério como algumas conseguiram escapar à fundição em alguma siderúrgica. 

Assistam ao vídeo: 

Empossado numa quinta-feira, 15 de Março de 1990, o corrupto Fernando Collor anunciou seu plano econômico no dia seguinte à posse, ou seja, logo no primeiro dia de governo: Anunciou o retorno do Cruzeiro como unidade monetária em substituição ao Cruzado Novo, vigente desde 15 de janeiro de 1989 quando houve o último choque econômico patrocinado por seu antecessor José Sarney, outro esquerdista ladrão e extremamente corrupto.

O Cruzeiro voltaria a circular em 19 de março de 1990 em sua terceira (e última) incursão como moeda corrente nacional, à razão de NCz$ 1,00 = Cr$ 1,00 (1 Cruzado Novo = 1 Cruzeiro, ou seja, só mudou o nome da moeda novamente, pela terceira vez na história, pra Cruzeiros, desta vez sem corte de zeros), até ser substituída pelo Cruzeiro Real em 1993. Logo, a cobiçada moeda 5 Centavos de Cruzados Novos 1990, fabricada em fevereiro, sequer teve tempo hábil pra se fazer circular.

Uma curiosidade: TODAS as moedas 5 CENTAVOS 1990 possuem um ponto na data entre o segundo 9 e o 0, ficando 199.0 na data.

Dito isto, é preciso afirmar: Sempre que alguém põe um exemplar dessa moeda à venda, a diversão é garantida: As pessoas dão a clara impressão de não saberem sequer o que colecionam. O analfabetismo funcional é gritante e fica muito evidente em muitos. Ninguém lê os catálogos! Só vêem preços! De fato, sempre que vemos esta moeda à venda com algum comerciante, aparecem várias pessoas questionando o elevado preço, e afirmando que possuem ou possuíam “kilos” da mesma em casa e afirmando ser uma moeda muito comum, na óbvia confusão com as extremamente comuns 5 Centavos 1989 e 5 Cruzeiros 1990. Há inclusive aqueles que a confundem com a 10 Cruzeiros 1991, que é muito diferente inclusive no diâmetro.

Nota importante: Não se trata de uma moeda “rara” como inseri na imagem. Claro que não considero esta moeda como sendo "rara", e sim no máximo como escassa ou difícil. Raras são cunhagens abaixo de 100 exemplares. Coloquei "Rara" apenas pra exemplificar a diferença entre as comuns 5 Centavos 1989 e 5 Cruzeiros 1990.

A tiragem, já baixa, de 934.000 exemplares cunhados oficialmente, não chegou a ser inserida no mercado, sendo destruída aparentemente antes da distribuição aos bancos. Nenhuma foi posta em circulação, pois fabricadas no final de Fevereiro de 1990, em Março mudou-se o Governo, mudou-se o sistema monetário de Cruzado Novo pra Cruzeiro, e a inflação “comeu” o valor, já baixo, dessa peça. Na prática, quando iam ser distribuídas, seriam necessárias centenas delas pra se comprar uma balinha ou pirulito no mercado. Resultado: Fundição em siderúrgica. Nenhum exemplar deveria ter escapado a este destino, mas... algumas estão por aí.

Logo, quantidade de emissão é uma coisa. Colocação em circulação é outra. O mesmo fenômeno ocorreu com a cédula da Baiana, onde a quantidade de emissão é alta, mas o que efetivamente circulou foi pouco e por isto é uma peça escassa e valorizada.

Não é uma moeda difícil de se encontrar nas Casas Numismáticas, com comerciantes independentes, etc, mas os preços são incrivelmente altos, variando entre R$ 150 e R$ 250. O que se observa, na realidade, é uma supervalorização diante de uma demanda que cai nas mãos de comerciantes que procuram exorbitantes lucros. Esse fenômeno é um câncer da numismática, que se espalha quando os comerciantes mais honestos passam a adotar os mesmos preços ao observar que podem potencializar seu lucro. Esse problema também é agravado pela escassez relativa, isto é, diante de uma cunhagem alta de outros anos, do mesmo valor facial e até mesmo de outras moedas, é difícil encontrar essa peça em grandes lotes. Esse fenômeno é o mesmo visto em peças como 1 Real 1998 Direitos Humanos, 1 Real 2012 Bandeira Olímpica, 1 Centavo 1990, dentre outras.

Mas… Se a moeda de 5 Centavos de Cruzados Novos foi retirada antes mesmo de se fazer circular, devido à inflação tê-la desvalorizado ao pó, porque o mesmo não foi feito com a moeda de 1 Centavo de Cruzado Novo, que valia cinco vezes menos?

1 Centavo de Cruzado Novo:
em 1989 são 208.100.000
em 1990 são apenas 1.000.000

Deveria pela lógica ser escassa como a 5 Centavos de Cruzados Novos 1990 e igualmente recolhida. Mas não é, e circulou. Foi criada em 1989 pra substituir a moeda de Cz$ 10 (Dez Cruzados) que passaram a corresponder a NCz$ 0,01 (Um Centavo de Cruzado Novo). É o chamado "Plano Verão".
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A resposta é: O CENTAVO como unidade monetária não foi abolido quando a moeda voltou a ser chamar CRUZEIROS, e isto está na LEI Nº 8.024, DE 12 DE ABRIL DE 1990, onde temos:

Art. 1º Passa a denominar-se cruzeiro a moeda nacional, configurando a unidade do sistema monetário brasileiro.
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§ 1º Fica mantido o centavo para designar a centésima parte da nova moeda.

§ 2º O cruzeiro corresponde a um cruzado novo.

Portanto, o CENTAVO era obrigação legal, e por isso foi mantido e posto em circulação, mesmo sem nenhum poder de compra, mesmo que uma tonelada delas não valesse nada. Já a 5 Centavos, que estava em circulação, com data 1989, foi recolhida, e a já produzida mas não distribuída 1990, sequer chegou a circular.

Explicação dada, deixem seus comentários!

 

Atualização em 24 Junho ‘2020:

Este artigo foi reproduzido no site «Numismática Castro» em 1 Fevereiro ‘2018.
Link: https://numismaticos.com.br/o-importante-nao-e-o-peixo-e-o-pescador/

19 outubro 2016

Métodos de Cunhagem Ordinária, «Brilliant Uncirculated», e «Proof»

Uma dúvida relativamente comum que tem surgido ultimamente:

Qual a diferença entre a cunhagem Ordinária, Brilliant Uncirculated e Proof?

Veja o vídeo abaixo (em inglês), produzido pela Royal Mint, a Casa da Moeda da Grã-Bretanha, e no qual também é possível visualizar um pouco a fabricação dos cunhos para cada método de cunhagem:

Para ilustrar os três principais métodos de cunhagem utilizados no Brasil, me servirei da emissão «Entrega da Bandeira Olímpica», de 2012. Assim sendo, temos:


CUNHAGEM ORDINÁRIA:
Método pelo qual são cunhadas as moedas para circulação comum, em todo o mundo. O cunho e os discos não são polidos. No caso das atuais moedas do Plano Real, a máquinha de cunhagem produz 700 moedas por minuto. Costumam vir, no Brasil, em sachês com dezenas de unidades. Em outros países, as moedas vem acondicionadas em rolos. Leves arranhões ou pequenas marcas de batidas são admitidos. É possível encontrar moedas com defeitos, ou anômalas.


CUNHAGEM BRILLIANT UNCIRCULATED: O cunho recebe polimento, e as moedas são cunhadas na taxa de 1 moeda por segundo, aproximadamente. Isto as torna mais brilhantes que as de cunhagem ordinária, e com detalhes da gravação mais nítidos que no método de cunhagem ordinária. É utilizado para sets anuais e conjuntos especiais para colecionadores. Um exemplo recente, são as moedas das modalidades olímpicas em blisters ou cartelas.


CUNHAGEM PROOF: O acabamento é da mais alta qualidade. O cunho, totalmente polido até se tornar espelhado, bate até 6 vezes em cada disco, tornando detalhes intrincados do design absolutamente nítidos, e o campo liso das moedas, completamente espelhado. Cada disco é cuidadosamente inserido e recolhido manualmente na máquina de cunhagem, um a um, com utilização de luvas, e recebe uma limpeza com ar comprimido antes da cunhagem, para eliminar quaisquer vestígios de sujeira ou poeira. A taxa de produção é de aproximadamente 50 moedas por hora. Cada moeda, após a cunhagem, é analisada individualmente e as defeituosas são descartadas. É utilizado para moedas de coleção, geralmente em metal precioso (Ouro ou Prata). Costumam vir em estojos ou caixas de relativo luxo.

Uma observação importante: Moedas com cunhagem Brilliant Uncirculated, e principalmente, Proof, não devem jamais ter as faces tocadas com as mãos nuas, sob pena de marcar a moeda irremediavelmente com impressões digitais. Mesmo o mais macio dos panos, como os de microfibra para limpeza de lentes de óculos, as arranham. Recomenda-se enfaticamente jamais abrir as cápsulas que as protegem. Esta recomendação também é válida para moedas com cunhagem ordinária. O ideal é não tocar em moeda alguma com as mãos nuas, utilize luvas!

Qualquer dúvida não deixe de comentar!

16 outubro 2016

A Antiga Máquina de Cunhagem «Schuler»

No vídeo abaixo, a partir de 18m20s, é possível ver a antiga máquina de cunhagem SCHULER, importada da Alemanha Nacional-Socialista do führer Adolf Hitler, em 1937, pelo seu grande amigo e admirador, o gordinho fascista suicida Getúlio Vargas, ditador do Brasil, e que é a responsável pela cunhagem das moedas brasileiras durante o período 1937-1973.

O vídeo em seu todo é muito instrutivo e recomendo que seja assistido na íntegra.

A máquina SCHULER cunhava 110 moedas por minuto (contra 700 das máquinas atuais), e hoje se encontra no Museu de Valores do Banco Central do Brasil, em Brasília-DF, ainda em funcionamento, cunhando medalhas de souvenir das visitas ao Museu.

As medalhinhas-souvenir existem nas versões em Aço Inox e em Bronze-Alumínio.