26 fevereiro 2017

Falsificações Chinesas

Há centenas de milhares de moedas diferentes, desde as primeiras cunhadas na Lídia no século VII a.c. até as atuais, e uma gigantesca parte das mesmas são acessíveis.

Então, porque comprar falsificações?

A pessoa que se dispõe a vender falsificações chinesas (parem de chamar de “réplicas”, pois não o são) além de arriscar a sua reputação, está colaborando com um mercado criminoso. Quanto mais compram essas porcarias, mais os chineses as fabricam, e sempre melhorando os cunhos, até chegar a hora em que teremos sérias dificuldades pra distinguir a falsificação de um original. Isto já ocorre com as moedas «Morgan Dollar» dos Estados Unidos, onde há relatos de moedas perfeitamente cunhadas, feitas em prata maciça, e com slabs igualmente falsos!

Além do mais, qual é a graça de “tapar o buraco” da coleção com uma falsificação barata? Imagine deixar de herança aos filhos a coleção não de moedas boas e até raras, mas de pirataria chinesa sem valor!

Imagina comprar uma peça cara, e de repente descobrir que a mesma é uma falsificação chinesa.

Por diversos motivos, não concordo com a comercialização das mesmas, e nunca vou concordar, e na minha opinião, quem se dispõe a sua comercialização não passa de um vagabundo sem caráter, um mero patife, e merece ser extirpado, tal como um câncer, das sociedades numismáticas. Somente pessoas de reputação duvidosa as vendem, e somente idiotas as compram.

Na imagem: «Morgan Dollar» dos EUA falsificados em uma prensa de cunhagem artesanal, na China. Recomendo ler ESTE ARTIGO.

14 fevereiro 2017

Bibliografia sobre as «Obsidionais Holandesas»

 

ESTUDO PRELIMINAR DE ALGUMAS MOEDAS HOLANDESAS DA COLEÇÃO DO MUSEU HISTÓRICO NACIONAL DO RIO DE JANEIRO

http://www.restaurabr.org/arc/arc06pdf/01_RejaneLobo.pdf

Utilizando espectrômetro de fluorescência de Raios-X, pode-se afirmar com exatidão até mesmo de qual mina foi retirada o metal de qualquer peça, devido a existência de microscópicas inclusões de outros metais e minerais. Isso por si só pode aferir a autenticidade de qualquer moeda.

Abaixo uma pequena e com certeza não completa bibliografia sobre as obsidionais holandesas:


- ANGELINI, Cláudio Marcos. Os Holandeses no Brasil e as obsidionais. São Paulo: texto publicado na página da Revista Acervus Cultura e Arte - Belo Horizonte, MG.

- COLIN, Oswaldo. Brasil através da moeda. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995, 64p.

- CUHAJ, Geoger S. (editor) Standard Catalog of World Paper Money, Specialized Issues, Volume One. East State Street – Iola: Kp Books, USA, 2005.

- FERREIRA, Lupércio Gonçalves. As primeiras Moedas do Brasil. Recife: Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, 1987.

- GONÇALVES, Cleber Baptista. Casa da Moeda do Brasil, 290 anos de história, 1694-1984. Rio de Janeiro: Casa da Moedas do Brasil, 1985.

- GONÇALVES, Cleber Baptista. Casa da Moeda do Brasil. Rio de Janeiro: Casa da Moeda do Brasil, 2 edição, 1989, 937p.

- GONSALVES DE MELLO, José Antônio. Os Ducados Brasileiros de 1645 e 1646 e as moedas obsidionais cunhadas no Recife em 1654. Recife: Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, V.48, p.185-227.

- HERKENHOFF, Paulo (organizador). O Brasil e os Holandeses 1630-1654. Rio de Janeiro: GMT Editores Ltda. 1999.

- LISSA, Violo Idolo. Catálogo do Papel-Moeda do Brasil 1771-1986. Emissões oficiais, bancárias e regionais, Brasília: Ed. Gráfica Brasiliana, 3 edição, 1987.

- MAILLET, Prosper. Catalogue descriptif des Monnaies Obsidionaleset de Nécessité. Bruxelles : 1870.

- MAGALHÃES, Augusto F.R. de. Os Bancos Centrais e sua função Reguladora da Moeda e do Crédito. Rio de Janeiro: A Casa do Livro. 1971, 487p.

- NETSCHER, P.M. Les Hollandais au Brésil, notice historique sur les Pays-Bas et le Brésil au XVII siècle.Le Haye (Den Haag): Belinfante Frères, 1853.

- PROBER, Kurt. Catálogo de Moedas Brasileiras. Rio de Janeiro: 1ª edição, 1960.

- PROBER, Kurt. “Obsidionais” As primeiras Moedas do Brasil. Rio de Janeiro: Paquetá, Monografias Numismáticas – XIII, 1987.

- RIZZINI, Carlos. O Livro, o Jornal e a Tipografia no Brasil, 1500-1822, com breve estudo geral sobre a informação. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, Ed. fac-similar, 1988.

- SANDRONI, Paulo. (organização e supervisão) Novíssimo Dicionário de Economia. Editora Best Seller, 1999.

- SANTOS LEITÃO. Catálago de moedas brasileiras, de 1943 a 1965. Rio de Janeiro: Santos Leitão & Cia. Ltda, 10 edição, 1965, 205p.

- SHOROEDER, Cláudio. O Ducado Brasileiro (1645-1646), Boletim da SNB, Ed. 51.

- TRIGUEIROS, F. dos Santos. Dinheiro no Brasil. Rio de Janeiro: Léo Cristiano Editorial, 2ª edição, 1987.

- VAN DER WEE, H. (org.). La Banque en Occident. Genève: Union Bancaire Privée, Fonds Mercator Anvers, 1994.

- VAN LOON, Gerard. Histoire métalliquedes XVII Provinces des Pays-Bas, depuis l´abdication de Charles Quint jusqu`a la paix de Bade en MDCCXVI. La Haya (Den Haag): 1732-1737, 5V.

- VARNHAGEN, Francisco Adolpho de. História da Lutas com os Hollandezes no Brazil desde 1624 A 1654.Viena: 1871.

- WÄTJEN, Hermann. O domínio colonial holandês no Brasil: Um capítulo da história colonial do século XVII. Recife: Cia. Ed. de Pernambuco, 2004, p.291-343.


E isso é só o começo...

03 fevereiro 2017

Moeda «João Ramalho – Gibão Bandeirante 1932»

Vulgarmente conhecida como «Coletinho» ou «Casaquinho», trata-se da moeda de 500 Réis em Bronze-Alumínio emitida em 1932, de uma série de seis moedas, comemorativa aos 400 anos da Colonização de São Vicente-SP e vulgarmente conhecida como «Série Vicentina».

Apresenta no anverso o Gibão Bandeirante, uma peça de vestuário acolchoado, feito geralmente em couro de anta, que protegia o explorador dos sertões das setas envenenadas dos indígenas. No reverso, há o busto do aventureiro português João Ramalho (1493-1580), fundador da colônia de São Vicente.

Recentemente, houve uma febre na numismática nacional por esta moeda, provavelmente por conta de sua baixa tiragem (34.214 exemplares) e relativa dificuldade de conseguir um exemplar em estado de conservação superior (Soberbo ou Flor de Cunho).

E claro, como não poderia deixar de ser, a ganância e a especulação, a ansieade de um lucro grande e fácil se fez presente naqueles desprovidos de caráter e honestidade: Os preços subiram repentinamente, e começaram a aparecer falsificações chinesas no mercado.

Peça original:

Falsificação (origem: China):

 

Características principais que diferenciam o exemplar original da falsificação chinesa:

1. No original, os olhos do busto de João Ramalho possui feições tipicamente europeias, ou «olhos de português». Na falsificação, o busto possui olhos semi cerrados, ou «olhos de chinês».

2. No original, o Gibão Bandeirante apresenta um cinto com fivela. Na falsificação, não há fivela e tampouco a ponta do cinto.

Observando estes dois principais pontos, já é possível distinguir com exatidão e certeza a peça original da falsificação. Além disto, temos diversos outros detalhes menores:

 

no reverso (Busto de João Ramalho):

a) No original, as inscrições possuem caracteres mais finos.

b) Bordo suavemente arredondado no original. Reto e agudo na falsificação.

c) No original, é possível distinguir fios de cabelo individuais no busto de João Ramalho. Na falsificação isto não é possível.

d) A manga esquerda da camisa de João Ramalho possui mais detalhes e mais movimento do que na falsificação.

e) No original é possível distinguir fios de barba individuais no busto. Na falsificação, a barba é mais arredondada (“barba postiça de papai noel”).

f) No canto superior direito, na palavra DA (da frase “centenário DA colonização”): No original, possui dois pontos, ficando •DA• e na falsificação, só há ponto no lado esquerdo, ficando •DA.

g) o sinal de Til (~) na palavra “colonização”. No original, não toca a letra “L” de “colo”. Na falsificação, o til toca o L.

 

No anverso (Gibão Bandeirante):

a) No forro inferior do Gibão, são 7 linhas verticais no original. Na falsificação, são 8 linhas.

b) Na falsificação, a gola do Gibão é mais fina e possui linhas verticais mais precisas.

c) Cinto com fivela no original, sem fivela na falsificação.

d) No original, o Gibão é mais arredondado, dando sensação de tridimensionalidade. Na falsificação é reto e plano, como em um simples desenho.

e) O padrão xadrez do Gibão é arredondado no original, dando a sensação de enchimento e acolchoamento. Na falsificação, são linhas extremamente retas.

f) Na palavra «RÉIS»: No original, o acento agudo de Réis está separado da letra E. Na falsificação, o acento é colado à letra E, fazendo com que a mesma se pareça com um 9 invertido.

g) No valor facial «500»: No original, o primeiro zero é quebrado em duas partes. Na falsificação, é maciço.

 

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS DA MOEDA ORIGINAL
Material: Bronze Alumínio
Diâmetro: 22,5 mm
Peso: 4,00 g
Espessura: 1,50 mm
Bordo: Serrilhado
Titulagem: Cu 910, Al 90
Eixo: Reverso medalha (EV)

Um paquímetro e uma balança bastam pra diferenciar a original da falsificação.

  

Opinião do blogueiro: Aqueles que compram estas falsificações para revenda no mercado numismático brasileiro, mesmo que as vendam anunciando como “réplicas”, são tipicamente uns vagabundos sem moral, sem o menor caráter e de baixíssima reputação. Este tipo de safado deve ser extirpado de nosso meio, como o escória que é, tal como se arranca uma erva daninha de uma horta. Devem ser amplamente denunciados em nosso meio tal como o bandido canalha que é, e fazer constar o nome nas Listas Negras da numismática nacional.

Além do mais, faz-se mister deixar clara a diferença entre réplica e falsificação. 

RÉPLICAS são peças idênticas às originais, mas que contenham gravadas ou inscritas em local visível na peça certas palavras tais como “FAC SIMILE”, “COPY”, “FAUX”, etc. Estas não enganam ninguém.

Já as FALSIFICAÇÕES, como é o caso dessa peça de 1932 deste artigo, é uma imitação do original, feita no mesmo tamanho, cor, material e design, para se passar pela original e enganar colecionadores inexperientes.

NÃO COMPRE FALSIFICAÇÕES CHINESAS, NÃO COLABORE COM O MERCADO CRIMINOSO.

 

Atualização em 4 Fevereiro 2017

Surgiu uma NOVA falsificação desta moeda, com um novo cunho, melhorado, e um pouco mais perigosa que a anterior. Segue imagens:

Desta vez, o Gibão Bandeirante aparece com fivela e cinto. A boca de João Ramalho é completamente diferente do original (esta possui o “João Beiçudo” ou “mostrando a língua”), há alterações na barba, feições do rosto, o acento agudo em «Réis» foi separado da letra “E”, além de correções menores em todo o design tanto do anverso quanto do reverso.

Porém, continuam tendo somente um ponto no lado esquerdo de •DA sendo que no original é •DA• com pontos à direita e à esquerda, na frase “DA COLONIZAÇÃO”.

Opinião do Blogueiro: Pra uma correção de cunho tão rápida assim, a única hipótese que imagino é que há algum chinês fortemente envolvido com numismática residindo no Brasil e orientando os falsificadores na China. Não consigo visualizar outra explicação.

No link de venda dessas peças, vi alguns compradores oriundos do Brasil adquirindo-as em quantidade alta. Com certeza será para desovar nos “leilões” e “rifas” das redes sociais, e no Mercado Livre. Todo cuidado com esses pilantras é pouco!

Esta moeda – original, claro – só deve ser adquirida com vendedores de excelente reputação, ou em Casas Numismáticas, se possível com Nota Fiscal ou algum comprovante de compra.

27 janeiro 2017

Correos de Venezuela «Revolucionando el Correo»

Por volta de 2013, dois amigos numismatas combinaram uma troca de cédulas pelos correios.

O remetente, oriundo da Venezuela. O destinatário, da Costa Rica.

O envelope demorou ONZE MESES pra chegar ao destino. E quando chegou, foi entregue embalado dentro de um saco plástico, e acompanhado do seguinte ofício dos Correios da Costa Rica:

A galera não perdoou, e fez a seguinte montagem:

É o comunismo chavista sucateando os Correios da Venezuela.

16 janeiro 2017

Minha opinião sobre o Catálogo Carmelino 2017

A obra apresenta as moedas Brasileiras do período da República (1889-2016), e cotações somente para moedas no Estado de Conservação MBC, ou seja, circuladas. De forma estranha, apresenta cotações para moedas comuns ainda em circulação da segunda família do real. Cotação para moedas que se pode pegar facilmente no troco, ao meu ver, é surreal. Não faz o menor sentido. Deveria haver somente para aquelas valorizadas, como FAO, DH, Bandeira. Pior ainda, com valores estratosféricos. - A não ser que o autor compre tais moedas, pelos valores indicados em seu catálogo. Neste caso, estarei levando um carrinho de mão cheio para venda. Neste ponto, o Catálogo Bentes acerta ao cotar somente as moedas Flor de Cunho do período atual.

O texto aparentemente não sofreu uma revisão final, mesmo sendo produzido com a colaboração de DEZESSEIS pessoas, mencionadas nominalmente na página 5. Há inúmeros erros de ortografia e erros crassos nos dados sobre as moedas. P.ex., as moedas de 10 e 25 centavos de Real segunda família e de 1 Real são mencionadas como sendo de Aço Revestido de Cobre, quando o correto é Aço Revestido de Bronze. Nem mesmo um leigo confundiria cobre com bronze. Pra alguém que coleciona/comercializa moedas, é praticamente imperdoável. É o mesmo que confundir Ouro com Latão.

O autor continua perdido ao não saber distinguir a diferença entre uma anomalia e uma variante, mesmo havendo informações abundantes sobre o tema nas Sociedades Numismáticas em Boletins, em livros e até na própria internet. Já demos a descrição de ambas aqui no blog. Em resumo: ANOMALIAS são defeitos de fabricação e VARIANTES são alterações intencionais/propositais no design da moeda.

Pra citar alguns exemplos do serviço de desinformação que esta obra produz, a moeda 10 Centavos 1947 é catalogada como “Variante Data Dupla”. O correto é “Anomalia Batida Dupla” pois trata-se de defeito de fabricação, e não alteração intencional no cunho, e além do mais a data não é o único elemento do design que está duplo.

25 Centavos de Real 1ª Família com reverso de 50 Centavos, assim como 50 centavos 2012, sem o zero, também uma anomalia, chamada “Mula”, e não uma variante.

5 Centavos 2005 “duas palavras Brasil” (na verdade, uma Batida Dupla, muito deslocada), também é outra anomalia, e não variante. Essa peça, em especial, somente temos conhecimento de UM exemplar, vendido recentemente a um amigo de Curitiba-PR, mesma cidade do autor e de seus colaboradores (será por isso que apareceu no catálogo?).

10 Centavos de Real, segunda família, agora tem três “variantes” (na verdade, três anomalias): A já conhecida “Traço sob o Dez”, (que era chamada pelo esdrúxulo nome “Globo Triplo”), “Rastro na Estrela”, e “Brasil Duplo”. São respectivamente, anomalias (e não variantes) de cunho marcado, cunho marcado novamente e batida dupla. Infelizmente aparecem cotações somente para certas datas específicas, no entanto tenho imagens e tenho peças em meu gabinete numismático de diversas outras datas e denominações com as MESMAS anomalias, nas MESMAS posições e em diferentes. O mesmo ocorre com a 25 Centavos 2004 “Rastro na Estrela”.

Mais uma anomalia de Batida Dupla aparece catalogada na moeda 1 Real Entrega da Bandeira Olímpica, com o nome de “real duplo”, e na moeda do Basquete Olímpico como sendo “mão dupla”.

Enfim, pra finalizar: O Catálogo todo é muito fraco. Nota zero. É incompleto. É inútil, perda de tempo e dinheiro, e gera mais perguntas e questionamentos do que respostas. Confunde o colecionador, ao invés de esclarecer. Alguém que tenha iniciado na numismática no ano passado conseguiria fazer melhor. O autor dedica-se a catalogar poucas ANOMALIAS em datas específicas, quando as mesmas existem em diversas datas e valores, as denomina erroneamente de “variantes”, e ainda insere cotações surreais sem base na realidade, contribuindo assim para a especulação.

Poderia ser muito mais útil catalogando somente as moedas-tipo, fazendo um texto introdutório sobre as anomalias e explicando quais são e como são produzidas, ou, quem sabe, caso haja escopo intelectual para tanto, fazendo um estudo aprofundado sobre as VARIANTES de cunhos nas moedas do Plano Real. Por exemplo, a moeda 5 Centavos 2007 possui duas variantes: Com 13 e com 12 traços atrás do Tiradentes, no reverso, e isto inclusive foi descoberto e publicado pela Sociedade Numismática Paranaense, da qual o autor faz parte, mas que ignora por completo.

Em suma, é um catálogo feito por amadores, para colecionadores mais do que iniciantes (aqueles que começaram na numismática há 1 semana e não conhecem sequer os designs das moedas anteriores ao Plano Real). Pra quem tem mais de 1 mês de vida na numismática, recomendo outros catálogos.

09 dezembro 2016

Desabafo…

A numismática brasileira não está preparada para publicações de textos, pesquisas ou artigos que questionem certos dogmas estabelecidos por editores de catálogos, comerciantes, e algumas pessoas que se (auto) arvoram como “grandes” ou “importantes”, mas cujo conhecimento técnico sobre aquilo que colecionam é praticamente zero. Não procuram saber o que é correto, e não vão aceitar que alguém novo lhes digam. Trata-se de gente ignorante da pior espécie.

São muitos comerciantes para poucos colecionadores. O mero comércio fala muito mais alto do que a pesquisa e o colecionismo, e a cultura e o conhecimento tem sido postos de lado em favor da ganância e da especulação. Claro que todos nós gostamos de dinheiro e bons lucros, mas quem busca para si algo tão supérfluo quanto a numismática, é porque está em busca de algo mais, ou seja, de cultura e uma fonte de conhecimento. E esta parte – a principal, ao meu ver – simplesmente NÃO EXISTE no Brasil!

Um dos fatores que impedem que o conhecimento numismático seja difundido no Brasil são os altíssimos valores pedidos por livros sobre moedas brasileiras. Os preços são absurdos e irreais. Na obra do Lupercio, p.ex., pedem R$ 2500. Outra obra sobre 960 Réis, outro valor absurdo, inalcançável para a imensa maioria, e escrita em inglês. No Brasil, muitos mal sabem português! Logo, ao invés de democratizar, isto faz com que se elitize o conhecimento para uns poucos “iluminados”, os mesmos velhacos de sempre. É o caminho contrário ao que tomam as numismáticas americana e europeia.

Graças a ignorância e falta de conhecimento geral, aberrações como anomalias comuns, de cunho marcado, são catalogadas por mero desconhecimento, e cotadas e vendidas a valores surreais, e ainda há idiotas que pensam que tal coisa tem valor só porque está porcamente publicado e cotado em um livro qualquer. Alguns (não todos) comerciantes, igualmente membros da patota, e igualmente ignorantes, as anunciam como “raridades” e os colecionadores seguem o que está escrito bovinamente, sem questionar nada.

Isso não é ciência numismática.

Por fim, estou na numismática para aprender, ter uma nova fonte de conhecimento para mim, e não para ensinar gratuitamente a uma legião de semi-analfabetos funcionais, servir como catálogo ambulante online pra perguntas cretinas de “quanto vale”, e ainda por cima ser destratado por isso.

Havia muitíssimas coisas a serem escritas, como p.ex. sobre as moedas do Cruzeiro «Mapa Duplo», sobre as quais fiz algumas descobertas interessantes ao estudar seus cunhos, e sobre variantes de cunhos nas moedas do Plano Real, cujo estudo venho fazendo há vários meses. Além do mais estava redigindo uma obra completa, a ser distribuída gratuitamente em .pdf, sobre anomalias nas moedas nacionais.

Todos estes estudos já estavam semi-organizados, quase prontos para serem publicados aqui neste blog.

Mas, pra quê? É perda de tempo...

O processo de lobotomização e analfabetismo funcional no Brasil está em estágio bastante avançado. Na numismática brasileira, os tais colecionadores não sabem sequer a diferença entre anomalia e variante. Pior ainda, leigos confundem qualquer disquinho metálico com “moeda”. Além do mais, uma pessoa que passou pelo processo de desmoralização estudantil impetrada por professores esquerdistas é incapaz de acessar informação verdadeira, pois os fatos não lhe dizem nada. Mesmo se eu mostrar a informação verdadeira aqui no blog, com grande evidência, prova documental, fotos, fontes primárias confiáveis, tais como livros escritos por membros ilustres e acreditados por sociedades nacionais do exterior, mesmo que eu o fizesse à força, elas irão se recusar a acreditar, até o momento em que comecem a desanimar e a vender sua coleção. Quando oferecerem um ínfimo valor por suas “bobos triplos”, aí sim, entenderão!

As pessoas que comandam os negócios na numismática não têm a cabeça na cultura, só no dinheiro. Só importa o negócio. Se vendessem bananas não seriam diferentes.

Eu não sinto neste momento a mais remota vontade em me associar a nenhuma sociedade numismatica do Brasil. Pra quê? Pra receber uns poucos boletins por ano e ter o ''direito'' de participar de alguma eventual VSO (Venda sob Oferta)? Participar da patota, da panelinha? Ter um suposto status? Inclusive já sei de antemão que em algumas delas, não sou bem vindo, principalmente em uma famosa lá do sul do Brasil. Nunca me fez ou fará falta, igualmente.

O ambiente numismático brasileiro não é saudável. É repleto de vagabundos, espertalhões, gente metida e ignorante. Velhos escrotos, que pararam no tempo, e que não aceitam opiniões diferentes, mesmo que embasadas. 

Não tenho o mais remoto interesse em participar de um ambiente que comporta escumalhas de tal baixíssimo nível cultural e até educacional. Criaturas que, estando no comando de Sociedades Numismáticas, as utiliza como verdadeiras bancas pra desovar suas peças “FC” (mas que mal passam como MBC). Gente que não aceita sequer uma simples opinião diferente ou que as contrarie, mesmo que estejamos certos. Gente que não acrescenta NADA à cultura e o desenvolvimento da numismática nacional. É SÓ COMÉRCIO. Estes são verdadeiros dinossauros, gente que parou no tempo. O odor de chorume emanado se sente à distância! Não quero ter o desprazer de encontrar com esses lixos ambulantes nos encontros numismáticos Brasil afora.

Portanto, Não, obrigado.

Os textos que preciso para me instruir sobre numismática, pesquiso na net, temos o Dr. Google pra isso, e nele descobro o que quero, além do que compro livros antigos no Estante Virtual, faço meus próprios estudos e pesquisas, e para comprar moedas, tem até o eBay pra isso. Nunca dependi de nenhum desses comerciantes escrotos pra isso, e inclusive encontrei no exterior peças em Estados de Conservação MUITO superiores aos oferecidos por tais criaturas e por valores mais baixos, mesmo com frete internacional. Peças sem marcas de dedos, com 100% do brilho original da cunhagem e sem sinais de limpeza.

Se pelo menos eu visse alguma dessas sociedades soltando uma mínima nota de repúdio pra emissoras de TV que fazem matérias dizendo que moedas olímpicas valem 100 reais cada, ou seja, o mínimo possível que se pede de órgãos que representem uma classe... Mas nem isso. É só mero comércio e encontros de comerciantes, e por isso os grupos nas redes sociais estão repletos de ignorantes. No exterior as coisas são MUITO diferentes.

Logo, pra mim não acrescenta nada, pelo contrário: Se fosse me associar a alguma Sociedade Numismática no Brasil, eu é quem teria a acrescentar conhecimento a esse pessoal, e ainda por cima, pagando por isso. E como eu coleciono as coisas justamente porque busco conhecimento pra mim...

Além do mais, já dizia a Bíblia:

“Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão.” (Mateus 7:6)

Numismática além de ciência, é um hobby, e como tal, deve ser prazeiroso. Se não for, não faz sentido. E pra mim já não está sendo mais, virou sinônimo de dor de cabeça gratuita.

Vida que segue.

12 novembro 2016

Falsificações da Moeda 1 Real 2012 «Entrega da Bandeira Olímpica» para enganar colecionadores

Relatos nos grupos de numismática das redes sociais estão dando por conta do surgimento de sachês de moedas FALSIFICADAS (para enganar colecionadores) da Entrega da Bandeira Olímpica 2012 nos estados de São Paulo (Praça da República) e Rio de Janeiro. Quem viu as falsas, nos relata que as moedas tem boa qualidade, mesmo tamanho e espessura, e mínima diferença de peso, e com a diferença que possuem a data de 2014, e que o falsário possui centenas de peças à venda por valores muito abaixo do praticado no mercado.

Apesar do alto valor de coleção, a moeda da entrega da Bandeira Olímpica continua sendo uma moeda de 1 Real de uso corrente do atual meio circulante nacional. Falsificar ou vender falsas configura crime federal. A alta especulação nos preços aliada a uma ganância desmedida faz com que as pessoas fabriquem falsas e as vendam aos colecionadores.

Não deixem isso passar batido, amigos, é crime federal (Artigo 289 do Código Penal) além de ser uma tremenda sacanagem com os colecionadores. Se souberem quem está fazendo isso, não deixem de denunciar pessoalmente esses vagabundos pra Polícia Federal, cadeia neles! Esse tipo de canalha é como um câncer, tem que ser extirpado da numismática.

Não se trata aqui de criminosos comuns que estão tentando fraudar a fazenda e o erário público. Os que falsificam moeda da Bandeira Olímpica, são comerciantes numismáticos com intuito de enganar os colecionadores. É gente do ramo, que reconhecem falsas à distância, que sabem exatamente o que estão fazendo, e merecem ir pra trás das grades.

Vamos ficar de olho também na moeda do Cinquentenário dos Direitos Humanos, que é outra com alta probabilidade de aparecerem falsificações.


CP - Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940

Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro:

Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.

§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa.

§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Olhem bem suas moedas. Pesem com balança digital de 2 casas decimais e meçam com paquimetro. Observem os detalhes da gravura e da cunhagem. Veja se a data 2012 confere.

Se desconfiar que é falsa, faça a denúncia. Vamos por esses safados na cadeia! Não deixem de denunciar os canalhas na Superintendência da Polícia Federal!