25 maio 2017

Medalhas das Olimpíadas Rio 2016 estão enferrujando, oxidando, e se tornando sucata

Informações oficiais:

Foi produzido um total de 2.488 medalhas para a Olimpíada, todas elas com 85 milímetros de diâmetro e peso de 500 gramas – as medalhas mais pesadas das Olimpíadas de verão.

Cada uma das 812 medalhas de ouro contém 6 gramas de ouro (o mínimo requisitado pelo Comitê Olímpico Internacional). Os 494 gramas restantes são de prata com 92,5 de pureza, de acordo com a Casa da Moeda.

Cada uma das 812 medalhas de prata contém 500 gramas de prata esterlina e valem US$ 305. As 864 medalhas de bronze contêm 475 gramas de cobre (95%) e 25 gramas de zinco (5%). As medalhas de bronze têm pouco valor intrínseco.

 Menos de 1 ano após a realização dos Jogos, centenas de atletas estão reclamando que suas medalhas estão simplesmente descascando e manchando sozinhas. A matéria jornalística sobre o assunto pode ser lida aqui: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/atletas-brasileiros-reclamam-de-defeitos-nas-medalhas-da-rio-2016-e-cogitam-troca.ghtml

Fica muito evidente que as medalhas, produzidas na Casa da Moeda do Brasil, não seguiram as especificações oficiais do Comitê Olímpico Internacional. Ao que parece, há uma camada de eletrorrevestimento nas mesmas, de má qualidade, insuficiente, muito fina.

Ouro: Medalhas são de Prata “esterlina” banhadas a ouro. Pra estarem ficando verdes, é porque há cobre ou bronze na composição. Ele deveria estar ali?

Prata: Medalhas deveriam ser de Prata “esterlina” (.925 ?) maciça. De forma alguma deveriam estar enferrujando ou descascando. Vez em quando são desenterradas moedas de Prata da época colonial do Brasil, peças que ficaram debaixo da terra recebendo umidade e toda sorte de agentes de deterioração, e nem assim essas peças começam a corroer. O mesmo ocorre moedas de Prata do Império Romano. Estão incólumes, apenas com a pátina natural. Por óbvio, já que prata é um metal nobre e não enferruja.

Bronze: Medalhas deveriam conter 475 gramas de cobre (95%) e 25 gramas de zinco (5%). Igualmente, jamais deveriam estar enferrujando. Fica óbvio que não é esta a composição real das peças.

Isso é um caso muito sério.

812 medalhas de prata + 812 medalhas de ouro (que deveriam ser prata banhada em ouro), são 1624 medalhas, e cada uma pesando 500 gramas, total de 812 kilos de prata “esterlina”, acima de titulagem .900. Está claro que esta prata toda não está nestas peças e com tantos escândalos de corrupção e desvios ocorrendo na política e nas instituições do governo federal, creio que aqui temos mais um. Onde foram parar esses 812 kilos de prata? Nas medalhas, não estão. Estas são apenas lixo, sucata. Se calhar, não servem nem como material para reciclagem.

Esse escândalo afeta DIRETAMENTE a numismática brasileira, já que há diversos colecionadores que adquirem as medalhas comemorativas, igualmente fabricadas e comercializadas pela Casa da Moeda do Brasil, e inclusive as moedas de coleção. Pra citar um exemplo, há relatos de colecionadores de que as moedas comemorativas olímpicas de 1 Real, cunhadas em método “brilliant uncirculated” e que estão acondicionadas em blisters oficiais, também estão manchando e descascando sozinhas. E não é por manuseio inadequado, já que a peça fica lacrada dentro do blister. Como confiar que a peça adquirida possui realmente a composição descrita?

Centenas de atletas estão devolvendo as medalhas para a Casa da Moeda, que se manifestou dizendo simplesmente que os descascados são “devido ao mal manuseio”. A quem querem enganar, afinal? Já está na hora de privatizarem esta estatal. Faz-se mister uma perícia nas peças, e a abertura de uma CPI na Casa da Moeda a fim de investigar o que houve e punir severamente os responsáveis.

13 maio 2017

Moeda «10 Cruzeiros 1975 – 10 anos do Banco Central»

 

Trata-se de moeda comemorativa em Prata emitida pelo Banco Central do Brasil, em comemoração aos seus 10 anos. No anverso, o busto do fundador do Banco, o mal. Humberto de Alencar Castello Branco. No reverso, o valor facial e o logotipo do Banco Central.

A moeda vinha acondicionada em uma cartela, e é justamente a cartela o motivo dessa postagem. (Imagens da cartela retiradas do site http://www.moedasdobrasil.com.br/moedas/castelo.asp

Na hora da compra, é preciso observar:

1) A CARTELA: Deverá estar em perfeitas condições, sem pontos de “ferrugem de papel” (que, sabem bem os filatelistas, são fungos que decompõem a celulose do papel), sem rasgos. A folha interna de PVC onde a moeda fica inserida não deve estar amarelada.

2) A MOEDA: A mesma fica acondicionada em um pequeno bolso na folha de PVC, e geralmente é encontrada com a famosa gosma verde (ácido sulfúrico) proveniente da decomposição do PVC, que corrói lentamente a peça. Muitas das peças atualmente sofreram algum tipo de limpeza e é preciso observar, com uma boa lupa, à procura de “hairlines”, ou seja, pequenos arranhões e riscos que qualquer sinal de limpeza inevitavelmente deixa nas moedas.

É extremamente difícil de encontrar essa emissão antiga (ano 1975) em perfeitas condições, devido ao PVC da embalagem.

Caso encontre: o ideal para armazenamento é retirar a moeda do bolsinho de PVC da cartela, inserindo-a em um coin holder adesivado ou cápsula acrílica. A cartela deve ser protegida dos elementos atmosféricos com um saquinho do tipo «Ziploc».

Em tempo: O conjunto deverá estar COMPLETO: Cartela e moeda. Emissões comemorativas que faltem algum dos elementos (p.ex., a cartela original, ou estojo original, o certificado de autenticidade, quando existente) devem sempre ser evitados, exceto se o valor for muito inferior ao do conjunto completo.

11 maio 2017

Qual é a necessidade disto??

 
Fotografia de página do último boletim da «Sociedade Numismática Paranaense»


Recebi isto semanas atrás e achei absolutamente ridículo e inacreditável. Uma palhaçada. A pedidos de três amigos numismatas, dois deles membros da SNP, vou expor a minha opinião sobre o assunto:

A pessoa mencionada – Fernando Dias Antunes – conhecido nos meios numismáticos como “Bentes”, ou “Fernando Bentes”, é o editor do Catálogo BENTES de moedas brasileiras, a quem respeito como NUMISMATA e pesquisador das nossas moedas. É um personagem que detém um grande conhecimento no assunto e seria figura óbvia em qualquer Sociedade Numismática que se preze, inclusive nas internacionais de alto renome. O Catálogo de moedas editado pelo mesmo é o melhor até então editado no Brasil.

Mas como eu disse, respeito-o como NUMISMATA. Como pessoa, como ser humano, a situação é outra. Já tive as minhas rusgas com o mesmo, não gosto de sua pessoa – o ser humano por trás do numismata –, que possui certas atitudes que não gosto e não aprovo, (não de falha de caráter, mas sim pelo mesmo ser um “cabeça dura” que não aceita opiniões divergentes – Vide os comentários no post sobre a moeda 1 Real 1997 Bromélia que tivemos aqui no blog), penso que o mesmo não é flor que se cheire, e eu não sou o único. O sr. Fernando tem certas atitudes grosseiras nas redes sociais e também pessoalmente nos encontros numismáticos que são desaprovadas por uma grande gama de colecionadores, por diversos motivos e razões que não cabem mencionar aqui (até porque são problemas dele, e não meus).

É público e notório que o sr. Fernando também tem tido nos últimos tempos debates bastante acalorados com o presidente desta tal “SNP”. Sobre esse sujeito, trata-se de uma criatura com nome de Fast-Food árabe Habib's a quem não me darei ao trabalho de sequer mencionar o nome em meu blog, e espero jamais passar por perto em encontros numismáticos, simplesmente por ser uma figura numismaticamente nula, de conhecimentos numismáticos rasos e incipientes e de uma arrogância desmedida, um verdadeiro dinossauro da numismática, alguém que parou no tempo, tratando-se única e tão somente de um mero comerciante de moedas que utiliza a banca da referida “SNP” para dar um suposto pedigree para a comercialização de suas moedas anunciadas sempre um ou dois Estados de Conservação acima da realidade e preços um ou dois patamares acima do valor de mercado. É alguém que, como Presidente de uma Sociedade Numismática, tem o arrepio de dizer que “quem nunca comprou nada com ele, será removido de seu grupo numismático”. E removeu centenas de pessoas, numa atitude exatamente contrária a que deveria ser a de um Presidente de Sociedade Numismática, que é o de AGREGAR os interessados no assunto. Quem não concorda com as sandices postadas pelo mesmo em seu grupo, tem sua postagem apagada e é igualmente removido. Além do mais, como Presidente de uma Sociedade Numismática, faz a sacanagem – perigosa – de enviar as listas de endereços residenciais particulares dos sócios da SNP a terceiros. É um sujeito que já está passando da hora de sofrer um Impeachment de seu cargo.

Em um destes debates, sobre as Moedas Obsidionais Holandesas, o (ainda!) tal presidente da tal associação defende que as mesmas sejam “medalhas” e o sr. Fernando, “as primeiras moedas do Brasil”. (Eu não partilho nem de uma opinião nem outra, tenho uma TERCEIRA opinião sobre as Obsidionais, que exporei mais adiante em um post futuro). Sempre estes debates terminam da mesma forma: Com rusgas, palavras irônicas, extremamente ácidas e de desdém um para com o outro, e no final, como ninguém puxou o saco de ninguém, os posts são apagados. É até engraçado.

Não somos obrigados a gostar de todas as pessoas, isso é evidente… mas aqui estamos lidando com Sociedades Numismáticas, cujo objetivo PRIMORDIAL é  a UNIÃO DE NUMISMATAS e deveria estar em primeiro lugar a divulgação do colecionismo, a cultura, o conhecimento, a ciência por trás das cédulas e moedas, a publicação de artigos e estudos profundos de cunho histórico, artístico, cultural, sobre numismática… e não o mero suposto status de se pertencer a alguma “maçonaria moedeira”, e menos ainda o mero comércio de moedas velhas em encontros onde sequer sabem manusear as mesmas (o fazem sem utilização de luvas, como se fosse uma feira de verduras), e, o que é pior, uma guerrinha de egos ridícula.

Por isto mesmo eu pergunto: Qual o intuito de se expor alguém – quem quer que seja - em um boletim pra todos os associados  (e até não associados, como eu) verem alguém como “indeferido por unanimidade” (um nome pomposo para EXPULSO COM DESONRAS)???

Qual a necessidade disto, afinal? Porquê essa exposição negativa gratuita? Será que foi porque perdeu FEIO, foi massacrado no debate sobre as Moedas Obsidionais Holandesas?

Como disse, não gosto do sr. Fernando (Bentes), mas jamais concordarei com este tipo de atitude de expor as pessoas dessa forma, seja de quem for. Isto é uma mancha pública na reputação do “indeferido” e também na do responsável pela publicação e na da associação numismática que utiliza seu espaço em boletim para publicar tal coisa. Garanto que se fosse comigo, o corpo jurídico de minha empresa entraria em ação imediatamente pra reparar tal injúria nos tribunais. Além do mais, isto não combina com a numismática, um dos mais nobres hobbies da humanidade, uma ciência de elevado nível cultural.

Em outras palavras mais diretas, como numismata sério e estudioso do assunto, (como pretendo ser um dia), não me interessa saber dos azedumes entre as pessoas, e sim de publicações novas sobre moedas, e por isso mesmo achei a atitude da SNP em publicar este “desligamento” com seus “motivos” um tanto quanto nojenta, bizonha, sem necessidade alguma.  Uma palhaçada sem limites, de um amadorismo inacreditável. Ficou parecendo atitude de lavadeiras de rio que ficam fofocando a vida alheia em público. Quem muito quer mostrar “poder”, acaba perdendo-o um dia. É uma asquerosidade sem fim que não tem nada a ver com a numismática, e sim com o afago do egos de alguns seres que, como já disse, são numismaticamente nulos.

Então fica aqui registrado o meu voto de protesto como numismata, contra a publicação de tais coisas que deveriam ser INTERNAS às sociedades numismaticas, (somente diretoria), e minha solidariedade ao sr. Fernando Antunes (Bentes) neste caso. Além do mais registro publicamente que jamais farei parte dessa referida sociedade sediada em Curitiba-PR, pois o meu repúdio para com tais atitudes é total e absoluto.

06 abril 2017

«As Pretensões Monetarias de Villa-Boa de Goyaz»

Deixo com os amigos numismatas um artigo precioso publicado pelo «MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÊS» em 1904, sobre um projeto de moeda provincial para Goiás que, infelizmente, não saiu do papel.

Clique aqui para fazer o download.

31 março 2017

As “Variantes de Oficina”: Desconhecimento de Causa ou Má Fé?

A postagem «ANOMALIAS EM MOEDAS» foi pioneira nesse segmento na numismática brasileira. Se antes alguém publicou alguma matéria sobre este assunto, o fez em boletins fechados de associações numismáticas aos quais somente seus sócios e membros possuem acesso. Já aqui no blog, qualquer pessoa poderá ter acesso à informação e de forma gratuita.

Recebi diversos elogios através de diferentes canais (e-mail, inbox do Facebook, whatsapp, etc), e também recebi algumas críticas e até mesmo xingamentos e, curiosamente, todas oriundas do Estado do Paraná. (Tenho algumas das “pérolas” em áudio e print-screen).

Com a postagem sobre anomalias, iniciou-se uma pequena “febre” nas redes sociais em busca das mesmas. Infelizmente, o que mais temíamos, aconteceu: Pessoas “garimpando” moedas e procurando a menor diferença, o menor defeitinho, para oferecerem a venda a preços exorbitantes, com base e referência no mais absoluto NADA.  Mas agora, temos criaturas FABRICANDO anomalias em casa, o que é pior!

Na numismática não há espaço para achismos. Numismática é ciência, e temos sempre que aprender com aqueles que são mais experientes no ramo. Em síntese, o primeiro pensamento que o colecionador deve ter ao se deparar com uma numisma aparentemente anômala é: «Isto pode ser reproduzido em casa, utilizando ferramentas simples?»

Anomalias que possam ser minimamente imitadas ou reproduzidas em casa usando equipamentos rudimentares não devem ser consideradas a não ser como mera curiosidade ou vandalismo, e seu vendedor deve ser considerado como alguém sem conhecimento de causa, ou, como quase sempre infelizmente acontece, a anomalia não está na moeda, e sim no vendedor, em seu caráter.

Um fenômeno curioso´: Ultimamente, na região SUL do Brasil, tem surgido algumas aberrações numismáticas absolutamente ridículas. Já falamos aqui sobre o «Globo Triplo» em postagens anteriores. Seguem imagens de mais algumas “anomalias” estúpidas com a devida descrição do vendedor e a explicação.

Peça oferecida nos meios numismáticos por vergonhosos R$ 500 (Quinhentos Reais!) por um vendedor chamado “Wilson” (omitiremos o sobrenome), oriundo do Estado do Rio Grande do Sul, como sendo “Rara anomalia COROA DE CRISTO”.

Não bastasse o nome completamente idiota e blasfêmio de “Coroa de Cristo”, esta é uma das típicas “variantes de oficina”, criada fora do ambiente da Casa da Moeda. Pode ser intencional, com o fim de enganar colecionadores incautos, ou não-intencional, como p. ex., a moeda ter sido usada como um calço pra um torno de oficina, ou material de teste pra brocas e lixadeiras, ou alguém desocupado lixando moedas, e depois a peça foi posta para circular. De toda forma, o valor disto é ZERO! Não vale sequer o valor de Face, já que se trata de moeda vandalizada.

Peça oferecida a vergonhosos R$ 450 (Quatrocentos e Cinquenta Reais!) por um vendedor de nome “Paulo” (omitiremos o sobrenome), oriundo do Estado do Rio Grande do Sul, no encontro da Sociedade Gaúcha de Numismática, em Porto Alegre-RS, como sendo  “Erro anel externo invertido”.

Aqui não restam dúvidas: “Variante de oficina” intencional, criada para enganar colecionadores. Será desconhecimento de causa, ou pura e simples má fé? Eu quero pensar que este vendedor desconhece o processo de fabricação das moedas bimetálicas de R$ 1, o que já é péssimo, já que desconhece o próprio produto que está vendendo.

Na prática: A moeda foi desmontada e remontada ao contrário. Há vídeos no Youtube ensinando como fazer, basta jogar a moeda no chão com muita força e ela desmontará. Veja:

 

O núcleo e o anel externo chegam separados na casa da moeda e um não encaixa no outro. Ambos são colocados na máquina de cunhagem ao mesmo tempo, e é a pressão da cunhagem que junta e fixa as duas partes devido à expansão do metal. Então, ao mesmo tempo ocorre a junção das duas partes e a cunhagem. E por isso mesmo é impossível sair uma peça com núcleo invertido.

Veja o vídeo abaixo, a partir do tempo 3m45s, o momento exato em que o Técnico da Casa da Moeda do Brasil explica esse fato. (Já postei este vídeo aqui no blog uma vez, não custa nada repetir):

Mais uma das “variantes de oficina” encontradas com frequência na internet. Pra esta ainda não colocaram algum nome pomposo e ridículo. A segunda peça ilustrada, de R$ 1, é de minha propriedade e eu mesmo peguei no troco do pão recentemente.

Pra isto não há muito o que dizer. Uma simples lixa faz este trabalho. A peça deve ter servido de calço ou apoio pra alguma coisa pesada, e ficou dessa forma. Não importa. É facilmente reproduzido em casa, e o valor numismático destas coisas é igualmente zero.

Concluindo:

O mais irritante nisto tudo é que explicar essas coisas a tais “vendedores” é perder tempo e passar raiva. Por isto mesmo este post é dedicado e é escrito aos COLECIONADORES, aos verdadeiros NUMISMATAS, para que não caiam nesses golpes. Quanto aos vendedores, estes simplesmente “não querem entender”, deixando evidente seu desvio de caráter, na sua busca ensandecida por algum colecionador desavisado que pague o absurdo valor pedido por essas porcarias feitas em casa, cujo valor numismático é zero.

É uma escrotidão sem limites, e o numismata sério deve estar atento a isto.

16 março 2017

Um País de Tolos

Assistam a este pequeno vídeo:

Há dois pontos que quero comentar.

Primeiro: O acumular de riquezas é algo próprio do capitalismo. Em países sérios, não são impostas dificuldades de nenhuma espécie, e o próprio Estado as produz para serem adquiridas pela população. Por isto, é muito fácil e barato comprar bullions em ouro ou prata, seja pra coleção, seja pra investimento, ou qualquer outro uso, em países do assim chamado “Primeiro Mundo”.

Quando será que alguém aqui no Brasil conseguiria comprar 480 onças (quase 14 kilos!) de prata, de uma só vez? E ainda por cima, ter a mercadoria corretamente entregue, como se estivesse comprando um objeto banal qualquer? Mesmo tendo o dinheiro, mesmo pagando impostos absurdos, acima dos 100% do valor do produto, provavelmente a mercadoria não chegaria ao destinatário.

No Brasil, um dos países com o subsolo mais rico em minerais do mundo, o máximo produzido pelo Estado, em Prata e Ouro, são moedas de coleção. Para as Pratas, são peças que não tem o padrão numismático internacional (Onça, ou seja 31,1 gramas), possuem 28 gramas (e este é o maior tamanho/peso), e custam 4x mais caro que o valor do metal a peso. As peças em Ouro então, são apenas 4,4 gramas de ouro .900 e igualmente custando mais de 4x seu valor a peso. Em países sérios, o ágio do governo é de cerca de 10% do valor a peso.

Pior: O Brasil é praticamente o único produtor mundial de Nióbio. Sabe quantas moedas de coleção temos cunhadas neste metal? ZERO. A Áustria, que não possui Nióbio em seu subsolo, tem muitas, e todas elas de Nióbio Brasileiro, proveniente da mina de Araxá-MG.

Mais: Recentemente, li o relato incrivelmente absurdo de um amigo que importou cápsulas (acrílicas, para moedas) e está tendo sua encomenda retida pela Receita Federal para averiguação da Agência Nacional de... Vigilância Sanitária (ANVISA)! Como se fossem cápsulas de remédios. E claro, a encomenda não será entregue. Terá sorte se for devolvida ao remetente. O valor gasto no frete internacional foi perdido, o comprador já passou raiva e se assim continuar, a empresa do exterior não venderá mais para compradores cujo destino é o Brasil, como JÁ OCORRE em vários locais.

Existe uma grande diferença na mentalidade das pessoas dos países do “Primeiro Mundo” e os do “Terceiro Mundo”, e uma delas é que, no Primeiro Mundo, as pessoas trabalham para gerar, produzir riqueza para sua nação e, claro, para si próprios. Todos tem de prosperar, assim todos ganham. Além do mais, não aceitam que modifiquem este estado das coisas. No Terceiro Mundo, trabalham apenas para se ter o suficiente para sobreviver (comer e pagar as contas), e ainda existe uma legião de estúpidos, seguidores de ideologias imbecilizantes, que pensam que acumular capital e riqueza é um crime hediondo, que se deve “socializar” o pouco de bens que alguém consegue ter trabalhando, com aqueles que não trabalham. E aí vemos “pérolas” do tipo “Esse cara sozinho adquirindo 13 kilos de prata pra guardar, enquanto milhões de pessoas passam fome na África…”. Oras, a pessoa trabalhou, prosperou, e ela faz do seu dinheiro o que quiser. É assim que funciona em países sérios e livres. Não gostou? Comece então ajudando aos famintos e necessitados, doando O SEU computador, carro e IPhone.

Segundo: Observem que os bullions de coleção estão em estojos acondicionados em saquinhos plásticos grossos, do tipo «ziploc». Motivo: Óbvio, otimizar a conservação da embalagem, que é de papel. Moedas que estão fora de suas embalagens originais tem seu valor reduzido em relação aos catálogos, isso funciona em todo o mundo numismático, MAS… nem tanto no Brasil.  

Quando residi nos Estados Unidos, ainda não era numismata, mas era filatelista e tinha contato com alguns numismatas por lá. Sempre vi as embalagens de "moedas de coleção" (são essas que vem “de fábrica” em estojos, cartelas, blisters, folders, etc e são cunhadas especialmente para serem colecionadas...) armazenadas nas lojas e também nas coleções dos numismatas, sempre embaladas previamente com esse «ziploc». Embalagens com mínimos defeitos, já sofriam alguma desvalorização no preço.

Já aqui no Brasil é um desastre. Há uma cultura da porcaria, do malfeito, da sujeira, arraigada no seio da sociedade, e não há o mínimo senso de conservação das coisas. Moedas de coleção lançadas há pouco tempo estão quase sempre com a embalagem de papel amassada, arranhada, suja, amarelada, encardida, rasgada, mofada e as vezes até mesmo ausente, porque os próprios numismatas não as acondicionam corretamente. Como é difícil por aqui comprar esse tipo de peça com sua embalagem original intacta! Que tal começarmos a pensar nisso, e cada um fazer a sua parte?

E ah: Pra aqueles que pensam “Poxa, você não pode falar mal do Brasil, cara…”. Ou então “Brasil Ame-o ou Deixe-o”. Uma banana daquele tamanho pra você, ok? Eu falo e penso como eu quiser. Se você está satisfeito com a situação atual deste país, se sua mentalidade é a de um silvícola conformado com as coisas, eu não estou e não possuo tal mentalidade. Quero o bem feito aqui, quero o Primeiro Mundo aqui, quero ter o DIREITO INALIENÁVEL de poder comprar 480 onças de Prata sem ter que passar a raiva da Casa Numismática me enviar as peças em embalagens estragadas, sem o Papai-Estado para cobrar 100% de imposto, sem a Receita Federal e os Correios roubarem a minha mercadoria.

11 março 2017

Moeda 25 Centavos 1995 «Nula»

BREVE DESCRIÇÃO: Trata-se de uma moeda de 25 Centavos, sempre com data 1995, e um carimbo, contramarca ou punção circular com a inscrição «NULA» no anverso e no reverso, cobrindo todo o design da moeda. Este tipo de peça é praticamente desconhecido nos meios numismáticos nacionais e não sabemos de nenhuma publicação à respeito.

Primeiro, vou falar sobre o que ocorre no exterior:

Este tipo de anulação ocorre nas Casas da Moeda de alguns países, tal como na U.S. Mint dos Estados Unidos, quando as moedas são liberadas da máquina de cunhagem e são reprovadas pelo controle de qualidade, por conter algum erro ou defeito de fabricação que a torna inadequada para circulação e que a possa tornar valiosa no mercado numismático, ou que está sendo recolhida (retirada de circulação). O objetivo de anular desta forma a peça, é de reutilizar o material, fundindo-o novamente na siderúrgica e assim o reciclando.

Nos Estados Unidos, as peças anuladas ou canceladas são transportadas através de rolos de esmagamento, que obliteram o design da moeda e transmitem um padrão ondulado à peça, o qual os numismatas e as Sociedades Numismáticas locais passaram a denominar oficialmente como «Cancelamento Waffle» (WAFFLED COINS). Recebem esse nome devido ao aspecto final ficar muito parecido com a iguaria culinária. O mesmo processo tem sido utilizado pela Espanha, África do Sul, Malásia, Holanda, Bélgica, Alemanha e muitos outros países, há muitos anos.

Moedas destruídas desta maneira possuem vários nomes: Desmonetizadas, Descunhadas, Canceladas, Anuladas, etc. Os padrões deixados pelos rolos de esmagamento podem ou não se assemelhar a «waffles».Seguem alguns exemplos: 

ESTADOS UNIDOS: Quarter Dollar «Alabama» com cancelamento Waffle 

ESTADOS UNIDOS: Quarter Dollar «Utah» com cancelamento Waffle

ESTADOS UNIDOS: Aspecto geral do cancelamento Waffle.


ESTADOS UNIDOS: Half Dollar Kennedy com cancelamento Waffle encapsulado pela NGC.

ESTADOS UNIDOS: Dollar Susan B. Anthony com cancelamento Waffle encapsulado pela PCGS

É o tipo de peça que não deveria sair das Casas da Moeda, e ir direto pra siderúrgica, mas… Sempre algumas escapam, e no mercado numismático dos Estados Unidos, este tipo de peça é encontrado com pouca dificuldade e geralmente comercializado por cerca de US$ 60 para Cents, Nickel, Dime e Quarters, e US$ 120 para Half e Dollar. Para moedas comemorativas em Prata, o valor alcança os US$ 500.

Em outros países:

CANADÁ

ALEMANHA

BÉLGICA

E no Brasil?

As Casas da Moeda estrangeiras, especialmente a dos Estados Unidos, explicam com detalhes às Sociedades Numismáticas (e a quem interessar possa), detalhes de como é realizado o procedimento de cancelamento de moedas que serão refundidas na siderúrgica. Já a Casa da Moeda do Brasil ou o Banco Central do Brasil simplesmente tratam QUALQUER aspecto da cunhagem de moedas ou impressão de cédulas com um secretismo absurdo, já que o processo não difere em praticamente nada do adotado em outros países e simplesmente ignoram mensagens enviadas à respeito.

Em alguns textos de decretos-lei, encontrei a frase ''Ao Banco Central do Brasil incumbirá dar cursos aos procedimentos de recolhimento e descaracterização das moedas divisionárias.''.

Além do mais, temos no Regimento Interno do Banco Central, no seu Artigo 67:


São atribuições dos Chefes-Adjuntos do Mecir, nas respectivas áreas de atuação
(…)
II - autorizar:
b) o expurgo do estoque de cédulas e moedas metálicas sem poder liberatório, cujo prazo de resgate tenha se esgotado;
(…)
d) a destruição de cédulas e moedas falsas e a descaracterização das moedas metálicas impróprias para circulação e das sem poder liberatório; (…)


Sabemos que as cédulas são picotadas, pois a própria Casa da Moeda entrega (ou vende?) aos visitantes um saquinho com as mesmas.

No entanto não temos a devida informação de COMO é feita essa descaracterização nas moedas.

Então fica no ar a dúvida: Seria esta punção com a inscrição «NULA» a forma com a qual o Banco Central ou a Casa da Moeda do Brasil anulam as nossas moedas para serem recicladas nas siderúrgicas? Sem uma confirmação OFICIAL de um destes órgãos, ou o testemunho com fotos ou vídeos de algum funcionário da siderúrgica, não teremos como saber com certeza.

Em uma busca na internet, encontramos 1 peça pertencente a numismata de São Paulo, e outras 4 peças à venda, por valores com média de R$ 80 cada. É um valor equiparável, em termos de poder econômico, ao que são vendidas as Waffles Coins americanas.

Um fato estranho é que somente encontramos exemplares deste cancelamento na moeda «25 Centavos 1995» e em nenhuma outra. Não encontramos na peça com data 1994 (que possui tiragem muito maior e mais suscetível a erros de cunhagem), e também não encontramos naquela que foi efetivamente recolhida e desmonetizada, a peça «1 Real 1994», que foi definitivamente retirada de circulação em 2003. Será que algum dia teremos respostas a isto?

As peças examinadas não possuem defeitos de fabricação aparentes. Logo, o motivo para receberem o cancelamento, é o fato das moedas da Primeira Família do Plano Real estarem sendo recolhidas aos poucos, desde que foi lançada a Segunda Família. São 19 anos de recolhimento, portanto.

Vamos tentar agir com cautela, já que pode ser facilmente fabricado fora do ambiente de cunhagem da Casa da Moeda, por alguém com muito tempo livre disponível, maus pensamentos, e um simples torno de oficina. O estilo da punção me parece algo muito amador, muito tosco pra ter sido feito na CMB, embora não precise necessariamente ter alguma qualidade, já que o objetivo é apenas anular as moedas para serem enviadas à reciclagem.

Atualizarei esta postagem quando houverem mais informações.

 

Atualização em 20 Março 2017:

Através do «Fale Conosco» do site do Banco Central do Brasil, enviamos em 7 Março 2017 a seguinte solicitação registrada sob o número de Protocolo 2017088752: (clique na imagem para ampliar):

 

O qual reproduzo o texto:

Boa tarde. Meu nome é Rubens Bulad, sou numismata (colecionador de moedas) e membro da ANS - American Numismatic Society, dos Estados Unidos. De acordo com o Regimento Interno do Banco Central, artigo 67, letra "d":

d) a destruição de cédulas e moedas falsas e a descaracterização das moedas metálicas impróprias para circulação e das sem poder liberatório;

Gostaria de obter a seguinte informação: Sabemos que a descaracterização das cédulas é feita mediante picotagem das mesmas. No entanto, gostaria de saber como é feita a descaracterização das moedas metálicas, e se a imagem que lhes envio em anexo corresponde a este processo de descaracterização.

Agradeço antecipadamente,

Rubens Bulad

(em anexo, as imagens anverso e reverso da peça «25 Centavos 1995 com punção "nula"»

 

Recebemos hoje, 20 Março 2017, via e-mail, a seguinte resposta do Banco Central:

A descaracterização de moedas metálicas é efetuada na Casa da Moeda, por um processo de prensagem que as deforma, tornando-as impróprias para o uso.

Anexa imagem de exemplos de moedas após esse processo.

As imagens enviadas por V. Sa. não correspondem ao processo utilizado pelo Banco Central.

Atenciosamente,

Banco Central do Brasil

 

Em anexo, em um arquivo .pdf, contendo nenhum texto, e 2 imagens das nossas «Waffle Coins»:


 Isto resolve toda a questão.

Em primeiro lugar: A peça «25 Centavos 1995 NULA» possui essa punção aplicada por particulares. Não sabemos com qual intuito, se para algum uso, tal como algum tipo de ficha, ou para enganar colecionadores. Mas, com esta resposta do Banco Central, temos a certeza: Não é coisa oficial, e não possui absolutamente NENHUM valor numismático, tratando-se tão somente de MERO VANDALISMO, portanto. 

Em segundo lugar: Agora sabemos que também temos as nossas «Waffle Coins» e pela primeira vez temos imagens das mesmas.

É assim que se faz numismática!